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Francisco Cuoco resgata suas raízes italianas e comemora par romântico com Aracy Balabanian em “Sol Nascente”: “O público está muito carente dessa magia”

O ator de 82 anos considerou absurda a forma como a classe vem sendo tratada pela política "É lamentável ter chegado a esse ponto. Agora não somos mais reconhecidos como trabalhadores"

Publicado em 05/12/2016 | Por Leonardo Rocha

Um dos grandes mestres da teledramaturgia, Francisco Cuoco está de voltas às telinhas e a todo vapor nas gravações de “Sol Nascente”. Dando vida ao simpático e apaixonado Gaetano, o ator de 82 anos tem conquistado ainda mais o público brasileiros ao lado de outra grande dama da tevê, a atriz Aracy Balabanian. Para o folhetim, o casal de imigrantes italianos tem trazido a antiga magia do amor eterno para a faixa das 18h da Rede Globo e provando que a paixão, de fato, não tem idade. Em entrevista exclusiva ao HT, Cuoco revelou os ingredientes que fazem desse produção um sucesso absoluto.

Francisco Cuoco (Foto: Felipe Panfili)

Francisco Cuoco (Foto: Felipe Panfili)

“Essa novela fala de sentimentos nobres. É excesso de carinho, amor, mesas fartas e jovens preocupados com o bem estar dos idosos. O público da televisão está muito carente dessa magia. E, principalmente, desse calor humano que a gente sempre ofereceu através da telinha. Passamos por tempos difíceis, de ódio. Por isso vejo a importância desse resgate de histórias leves e que tragam essa magia de valores fundamentais para a humanidade”, revelou ele.

Muito diferente do poderoso chefão que interpretou em “I Love Paraisópolis”, Gaetano é um italiano que acredita piamente nas aventuras do amor. E, como a arte muitas vezes imita a vida, Cuoco lembrou que seus avós, assim como o casal Gaetano e Geppina, também pegaram um navio ainda jovens em busca de uma vida melhor no Brasil. “O sotaque vem do lado Cuoco mesmo. Sempre tive muito familiaridade. Tenho cidadania italiana justamente. Precisei pesquisar bastante nesses lugares onde ficam os registros, e encontrei os nomes dos meus avós tanto maternos quanto paternos. Italianos muito novos, alguns sozinhos, chegando ao Brasil porque não tinham trabalho na Itália”, recordou o ator, que gosta de novelas que apresentem novas culturas.

Francisco Cuoco e Aracy Balabanian em "Sol Nascente" (Foto: Divulgação)

Francisco Cuoco e Aracy Balabanian em “Sol Nascente” (Foto: Divulgação)

“Esse casamento com os japoneses e os italianos foi um acerto. As pessoas gostam muito de interagir com outros povos. Sempre foi assim. O que mais me encanta é a harmonia e as mesas que são sempre muito diferentes e bonitas”, destacou ele sobre os núcleos estrangeiros. Para ele, as raízes de seus antepassados ainda foram um diferencial na hora de compor o carismático  personagem. “Essa vivência me deu um pouco mais de intimidade com essa coisa italiana da alegria, do exagerado, de gesticular muito, falar com as mãos”, destacou.

Agora, atuando no teatro desde 1955, quando estreou em “O Anúncio Feito À Maria”, Francisco Cuoco também integrou o elenco de grandes peças como “As Três Irmãs”, “Mambembe” e “Judy Garlandy – E o fim do Arco Iris”. Mesmo envolvido com a novela, ele garante que pretende voltar em breve aos palcos. “Eu tenho sempre ideias de projeto para voltar ao teatro. Com o fim da novela, eu quero voltar logo. Não da para ficar parado. O encontro com público é maravilhoso e enriquecedor para o artista”, contou ele, que, curiosamente nas horas vagas não perde uma luta de MMA. “Eu assisto ao canal Combate o tempo todo. E quando eu não posso eu gravo e assisto depois. São lutas maravilhosas”, disse.

O ator ao lado de Marcello Novaes (Foto: Divulgação)

O ator ao lado de Marcello Novaes (Foto: Divulgação)

Formado no tempo em que artistas possuíam um cunho político e social muito forte, o ator considerou absurda a forma como a classe vem sendo tratada, apesar de saber das prioridades da nação verde e amarela. “É lamentável ter chegado a esse ponto. Agora não somos mais reconhecidos como trabalhadores. Viver de teatro sempre foi um desafio. Muito complicado mesmo. Mas a gente não pode nem questionar sobre isso, porque se observarmos a saúde, por exemplo, é terrível. As pessoas morrem, não existe equipamento e nem médicos nos hospitais. A crise é geral. Estou em uma expectativa muito grande para saber como vamos encarar os próximos anos. Mas sigo otimista e sempre esperando o melhor”, completou.

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