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No ar como Enéas em “Haja coração”, Johnnas Oliva fala do amor pela atuação e garante: “Quero estar fazendo os três veículos até meus 96 anos de vida”

O ator, que também é locutor, dublador, músico, roteirista e diretor de cinema disse que as gravações de “Haja coração” são pura diversão e contou que está prestes a lançar três longas no cinema

Publicado em 01/08/2016 | Por Karina Kuperman

São quase 15 anos de experiência artística. No ar em “Haja coração”, Johnnas Oliva concilia funções. Além de ator, é locutor, dublador, músico, roteirista e diretor de cinema. No currículo, acumula cursos em todas as áreas, peças de teatro, séries e novelas na televisão, longas e curtas, webséries e muita publicidade. Ufa! Mas Johnnas é incansável. “Minha função principal na arte é ser ator, então quando não estou com algum projeto que preciso me entregar por inteiro eu consigo escrever meus roteiros, produzir meus filmes e acabo rodando em tempo hábil. A locução, quando estou em São Paulo, é fácil conciliar pois faço meus horários junto dos estúdios. Não estou mais na dublagem, mas acabo dublando personagens de comerciais de TV, como, por exemplo, esse novo filme da Stella Artois, eu que faço a voz do Sebastian Artois o dono da cervejaria”, contou.

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(Foto: Faya)

Chamando atenção como Enéas na trama das 19h, não poderíamos não perguntar: E o que muda, na vida, ao integrar o elenco de uma novela global, Johnnas? “Em questão ao trabalho, nada, pois a minha conduta é a mesma: disciplina, responsabilidade, organização e respeito por qualquer set de filmagem e palco. O que muda é o ritmo da televisão. Para novelas é mais rápido, mas sinto que deixa os atores mais vivos, mais espertos e atentos a tudo e mais um pouco. Fazer novela é um grande exercício de concentração e dedicação, precisa estar bem interiormente e externamente focado para não ter cena perdida. É uma delicia e estou apaixonado em fazer novela na Globo”, declarou ele, que divide cenas divertidas com Ágatha Moreira, que ele garantiu: é uma grande amiga. “Eu a conheci na preparação para os personagens dessa novela e me encantei por ela. A Ágatha me recebeu superbem, com respeito e um sorrisão no rosto. Nos damos muito bem, mesmo, é um amor novo na minha vida, uma amiga para sempre. O clima nas gravações é ótimo”, disse.

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Johnnas e Ágatha em cena de “Haja coração” (Foto: Reprodução/Gshow)

Se, fora das cenas, a energia é a melhor possível, na história, Camila (personagem de Ágatha) não retribui o amor de Enéas. “O que posso adiantar do personagem é que ele é bonzinho demais, mas tem seu limite de bondade. Ele é muito apaixonado pela Camila e mostra um outro lado para defendê-la e para conquistar esse amor. Ele é sangue no olho, sabe? Pode explodir a qualquer momento e surpreender qualquer um”, adiantou ele, que divide seu tempo entre toda a intensidade de Enéas e a dedicação ao viver Yuri, no seriado “O negócio”, da HBO. “A série é um presente que recebi do canal e da produra Mixer. Fiz dois testes, quando cheguei no primeiro, o diretor Michel Tikhomiroff e um dos criadores, o Luca Paiva Melo, já me conheciam da série ‘Descolados e Julie Os Fantasmas’, mas eles disseram: ‘Que bom que você veio, mas você é muito novo para o personagem’. Aquilo me quebrou no meio, pois havia estudado o texto do teste e estava lá pronto para fazer, aí pedi para me explicarem como era o personagem. Na época, estava sendo testado para fazer o Oscar, fiz o teste e de alguma forma surpreendi e assim me chamaram para o segundo teste já encaminhado para o Yuri, aí foi ótimo, compreendi a essência do personagem e ganhei o papel”, contou.

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(Foto: Camila Oliva Melhem)

E qual é a essência, Johnnas? “O que me atrai, é que o Yuri é um nerd metódico, não sabe lidar na arte de conquistar mulheres, mas as adora, então para ele é cômodo pagar os serviços delas, das garotas de programas; só que ele se apaixona pela Luna e fica totalmente obcecado por ela, a ponto de pedi-la em casamento na frente da família deles; e tem um lado psicótico incansável de ir atrás dela ou do que quer, é um cara engraçado mas, pisou no calo dele, ele tenta matar quem o atrapalha. Gosto desses personagens excêntricos, distantes da minha realidade”, explicou.

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(Foto: Reprodução)

A diferença entre séries e filmes, para Johnnas, é, principalmente, o ritmo de gravações. “Em um dia de filmagem de série fazemos cinco ou seis cenas, dependendo do tamanho, e a maioria são em locações. Usamos no máximo duas câmeras. Na televisão, em um dia, fazemos de 20 a 30 cenas, gravamos mais em estúdio e com quatro câmeras. Mas eu não concordo quando dizem que o futuro será só de séries. É só ver os números de espectadores das classes A, B, C e D, na nossa novela temos quase 2 milhões de expectadores por dia. As séries de TV fechada tem esse número mas não é diário e sim semanal pelo formato. A família brasileira ama novelas e consome muito, e isso não vai acabar tão cedo”, analisou.

Palavra de quem sabe o que diz: Johnnas tem experiência em roteiro e direção de longas e curtas. “Fiz três anos de faculdade de Rádio e TV, isso me deu um pouco de noção, mas aprendi e me interessei mais nos sets de filmagem em que estava como ator. São quase 16 anos nesse ofício, fiz 48 curtas, seis longas, 82 filmes publicitários e quase 20 séries de TV, de participação, coadjuvante a elenco principal. Sempre fiquei de olho em tudo: luz, direção, ritmo, montagem, etc…isso me fez ter um certo preparo para arriscar na direção, mas vejo muitos e muitos filmes de diretores do mundo inteiro e vou me identificando, consumo muito cinema”, explicou.

Não à toa, está no elenco de três longas que estreiam ainda esse ano. “A palavra”, do Guilherme Almeida Prado, “Um namorado para minha mulher”, de Julia Rezende, e um terceiro, independente, de Beto Shultz. “Infelizmente não temos o que precisamos para fazer cinema no Brasil, que é investimento, investidores e leis que façam a indústria cinematográfica ter mais recursos.’A Palavra’ do Guilherme de Almeida Prado, eu filmei em Recife em 2013 e talvez seja lançado agora, o outro filmei em 2014, em Natal, do Beto Shultz. É um filme de baixo orçamento, independente e que está em fase de captação para rodar outras cenas. O terceiro é um longa delicioso que fiz em 2015, uma participação com a Ingrid Guimarães e o Caco Ciocler que chama ‘Um namorado para a minha mulher’, que estreia em 2016”, listou.

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Johnnas Oliva como Enéas em “Haja coração” (Foto: Reprodução/Gshow)

Entre os trabalhos recentes, todos envolvem humor. “Foram coincidências. Amo fazer as pessoas rirem, amo o humor, mas personagens dramáticos mexem mais comigo e gosto mais”, confessou ele, que é apaixonado pela sétima arte. “Cinema é uma paixão eterna, gosto de fazer cinema, da verdade do cinema, da minuciosidade da interpretação, dizer com os olhos me deixa fascinado”, analisou ele, que já dirigiu dois curtas. “Foram duas experiências pequenas e lindas. Aprendi muito, dirigi um clipe, mas na minha pegada de cinema, fiz um roteiro e esse clipe tem um tempo de filme, o clipe chama ‘A Segunda Asa’ do cantor Paulinho Dias, lança dia 30 de Julho de 2016, está lindo e poético”, adiantou. E o que muda quando um ator passa a dirigir? “A compreensão é muito maior, fica mais refinado o olhar, então quando estou dirigindo sei conduzir meu olhar para o ator, fica mais sensível e plausível passar o que queremos dos atores”, disse.

Quem o vê tão apaixonado nem acredita: a ideia inicial era ser dublador. “Para dublar tinha que ter a formação de ator, fui fazer o Teatro Escola Macunaíma em São Paulo, para ter o registro de ator e para me desinibir melhor nos palcos, já que eu tinha uma banda de rock. Assim me apaixonei pelo método do Stanislavski e pelo teatro todo e nunca mais saí, a banda acabou e acabei dublando algumas coisas na época, que foi entre 1999 a 2005”, lembrou ele, que vai além: “Teatro e o meu grande amor, foi onde aprendi e onde aprendo quando volto, me sinto mais conectado com a arte do ator nos palcos, é lindo, especial e um privilégio estar no palco, a conexão do ator para com o público é mágica, é uma das coisas mais lindas inventadas no mundo”, declarou.

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(Foto: Faya)

E estar nas três plataformas é privilégio de poucos artistas, não? “É verdade, sou abençoado por Deus em poder estar em tudo. É difícil dizer qual eu amo mais, pois o teatro é meu grande amor, o cinema sou apaixonado e paixão queremos todos os dias, e a televisão eu estou encantado. Claro que quero até meus 96 anos de vida estar fazendo o três veículos (risos). Mas o cinema é o maior tesão como artista, quero muito e para sempre fazer cinema”, disse. Algo nos diz que o veremos muito por aí…

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