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Alberto Hiar fala com exclusividade sobre a compra da Zoomp: “A marca está em uma UTI. Vou pegar os melhores médicos da moda para curá-la”

Após desfilar sua nova coleção, a Máfia Cavalera, no Chilli Beans Fashion Cruise, Alberto Hiar disse: "As semanas de moda vão continuar existindo, nunca vão acabar. Talvez o que acabarão são as marcas que não se adaptarem ao novo momento de mercado"

Publicado em 06/04/2016 | Por Lucas Rezende

Alberto Hiar trabalha com um grande objetivo no momento: “Resgatar uma marca icônica da moda brasileira e mostrar, não só para mim, mas para todo o mundo, que você pode pegar uma grife e oxigená-la, fazê-la voltar a ter vida”. Foi depois de dominar o tradicional Jantar do Comandante do Chilli Beans Fashion Cruise com o desfile da nova coleção da Cavalera, batizada Máfia, que o turco visionário aceitou conversar com exclusividade com HT após ver seu nome, de sua esposa, Valéria Hiar, no olho do furacão fashion com o anúncio para quem quisesse ver: o grupo K2, de Valéria Hiar, que tem sob o guarda-chuva o grupo Cavalera, de Alberto, comprou a Zoomp. “A marca está em uma UTI. Nós vamos pegar todos os melhores médicos da moda para curá-la. A Zoom passou, infelizmente, por um processo de ter ido à UTI e, desde 2009, estamos tentando negociar essa marca. Foi uma boa aquisição, feita na hora certa, da forma certa. Estou muito feliz por termos adquirido uma grife que fez parte da minha juventude”, disse.

Valéria e Alberto Hiar (Foto: Reprodução)

Valéria e Alberto Hiar (Foto: Reprodução)

Enquanto a equipe da nova Zoomp é montada (“Será um grande time. Se eu fosse presidente da República, seria como se fosse o ministério dos ministérios”), um nome já é certo: Renato Kherlakian, fundador da grife famosa pelo logotipo do raio amarelo e que foi ícone de denim no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, com mais de 800 funcionários, 84 endereços no Brasil e presença em mais de 10 países; será o embaixador. Diferentemente do que foi ventilado na rádio-corredor, Hiar não será o responsável pelo estilo da grife. A primeira coleção será apresentada em outubro e deve chegar às lojas entre fevereiro e março do ano que vem. A ideia é preservar o espírito jovem pelo qual a etiqueta ganhou fama. Como foi arrematar uma grife de peso num leilão em período de recessão onde qualquer negociata é risco? “Sem medo. A saída é ser criativo, olhar para o novo no mercado. Não somos melhores, nem piores que ninguém. Só procuramos ser mais rápidos do que a crise”.

Enquanto a retirada da Zoomp da Unidade de Terapia Intensiva vai ganhando corpo, a Cavalera, já segmentada com a grife das grifes da atualidade, apresentou – no cruzeiro – seu preview de Outono Inverno 2016 inspirado na Máfia ao longo da história – e armará desfile oficial em São Paulo na próxima semana. Sinônimo de poder desde o século 19, o controverso e interessante universo dos mafiosos ganhou atenção especial de Hiar, diretor criativo da marca, nessa temporada. Mergulhado no clima ousado da subversão, Hiar trouxe para a coleção o poder da linguagem, da música e dos sons que inspiravam e serviam de trilha sonora para a vida dessas figuras tão emblemáticas. Os looks já estão disponíveis nas lojas da Cavalera. Novos tempos. “Eu não chamo de imediatismo, e sim de novo pensamento da moda. Hoje, com a rapidez da internet e todos os movimentos de redes sociais, não se consegue lançar uma coleção e colocar, depois de quase seis meses, na loja”, opinou.

Alberto Hiar (Foto: Divulgação)

Alberto Hiar (Foto: Divulgação)

Para Hiar, se não mudar o modus operandi, a leva “fica velha, já nasce morta”. Ele explica: “A gente entende que as pessoas querem ver seu desejo realizado no dia seguinte. Uma pessoa olha a roupa divulgada online pela mídia e vai para a loja comprar e ser uma das primeiras pessoas a usar a peça. Esse é o desejo da moda: ‘Eu vi, eu quero’. E não: ‘Eu vou querer’. Ninguém mais quer o que vai acontecer amanhã. Até porque ninguém sabe se vai estar vivo. O novo vai ficar velho”. Transição que, automaticamente, aproxima as semanas de moda do varejo. Nesse caso o empresário é tácito: “As semanas de moda vão continuar existindo, nunca vão acabar. Talvez o que acabarão serão as marcas que não se adaptarem ao novo momento de mercado”. Os novos passos da Cavalera diante esse cenário?

“Eu não sei quem vai estar no poder, como estará o Brasil para fazer planos. Vou continuar acordando cedo, trabalhando muito. O cavarocker, nessa crise financeira, encara tudo com muita atitude, com rock’n roll. A gente sabe que o que ele tem é mais forte que a crise – que está na cabeça. Talvez você tenha que trabalhar mais para ganhar a mesma coisa que antes. Mas a crise não pode dominar”, mandou. E Hiar, já que tocou no assunto poder, e aí: vai ter golpe ou não? “Para mim, não é golpe. Houve muita roubalheira no governo. Precisamos passar o Brasil a limpo. Tinha tirar todo mundo que está lá”. Hiar parece também querer tirar o Brasil do leito enfermo.

A seguir, uma prévia do que a Cavalera vai mostrar no Inverno 2016:

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