*Por Brunna Condini
Com 40 anos comemorados, Erika Januza vem conquistando espaços sonhados na carreira. Se há 13 anos, mesmo após ter estreado e protagonizado a série da Globo ‘Suburbia‘, a atriz relata ter enfrentado dificuldades e até pensado em desistir; hoje ela se orgulha de ter ido em busca das oportunidades com persistência, resiliência, mas antes de tudo, fé, em uma força maior, nela mesma e no “que é para ser”. 2025 tem se mostrado com ‘viradas’ importantes. Erika assumiu um lugar como apresentadora no sofá do programa ‘Saia Justa’, no GNT; está na quarta temporada de ‘Arcanjo Renegado’, e já se prepara para gravar a quinta, ambas séries do Globoplay, sob a batuta do diretor, produtor, fundador do AfroReggae José Júnior, também seu noivo desde setembro de 2023. “Além disso, vou estar em ‘D.P.A. 4: O Fantástico Reino de Ondion‘, que estreia em 4 de julho. Tenho mais uma série para fazer, em uma outra plataforma, e mais um filme”.
Sinto muita vontade de fazer novela novamente, de protagonizar alguma coisa de novo, porque minha única protagonista foi na estreia em ‘Suburbia’. E eu quero viver esse desafio mais uma vez – Erika Januza
Apaixonada pelo carnaval, ela que foi rainha de bateria da Viradouro durante quatro anos e teve sua saída divulgada agora, opina sobre a recente polêmica envolvendo a escolha da influenciadora Virginia Fonseca como nova ‘rainha’ da Grande Rio. “Para mim, esse lugar é de muito respeito, representatividade, ancestralidade e bastante trabalho”. Sobre o tema, ampliamos a conversa abaixo. E também falamos sobre as vitórias e dificuldades, os medos e superações; e também sobre a relação com José Júnior e a maturidade que trouxe ainda mais o desejo de posicionamento.

Erika Januza fala da chegada aos 40, das vitórias e dificuldades, dos medos e superações (Foto: Marcio Farias)
Sobre a importância do ‘reinado’ na Avenida
Marcela Porto, conhecida como ‘Mulher Abacaxi’, ganhou repercussão nas redes sociais ao criar um abaixo-assinado na plataforma Change.org para protestar contra a possível escolha de Virginia Fonseca como rainha de bateria da Grande Rio, o que acabou acontecendo. A iniciativa da Marcela ganhou o apoio de muita gente, inclusive de Erika, que exaltou sua coragem em se pronunciar sobre o assunto. Marcela defendeu que Virginia não deveria ter aceitado o convite por não ter conexão com o carnaval. A respeito disso, a atriz opina ainda. “Fiz questão de criar o programa ‘Rainhas Além da Avenida’ (GNT), para mostrar que não é só colocar a roupa bonita e querer a divulgação que o carnaval traz. Tem tanta gente que faz o carnaval acontecer, que o honra e respeita. Tantas pessoas passaram por muitas coisas para essa festa ter essa magnitude de hoje. E quem faz essa festa é o povo preto. É uma festa onde os reis e rainhas podem ser negros, em que falamos de cultura, de potência, de tanta coisa. Acredito que as meninas das comunidades querem ser ver minimamente representadas. Ainda que seja uma ‘rainha’ artista, que essa pessoa tenha consciência do que é ocupar esse cargo. Carnaval é resistência, é nossa cultura. A pessoa que entra precisa ter noção do espaço que está ocupando”, observa.
O que defendo, e sempre vou defender, é que o posto de rainha de bateria carrega um peso simbólico muito grande. Não é só brilhar na avenida, é sobre representatividade, entrega e respeito por uma comunidade que se dedica o ano inteiro por aquele momento. Então, independente de quem esteja ali, torço para que honre esse lugar com amor, humildade e muita dedicação. O samba é generoso, mas também é muito exigente — e quem chega precisa entender isso – Erika Januza

Erika Januza foi Rainha de Bateria da viradouro durante quatro anos (Foto: Reprodução/Instagram/Renata Xavier)
E conclui: “É preciso dar protagonismo para quem realmente faz essa festa, quem vive o carnaval, quem está lá todos os dias, durante um ano inteiro para entrar vibrando na Sapucaí e defender sua escola. Acho que essa é uma escolha que precisa ser feita com bastante cuidado. A bateria é o coração de uma escola. E ela precisa ser respeitada. Não conheço a Marcela e nos bastidores dei parabéns por ela se manifestar abertamente. Acho legal quem se posiciona. As pessoas não precisam concordar, mas respeitar. O respeito vem em primeiro lugar”.
Novos ares
Erika deixou o posto de rainha de bateria da Viradouro por decisão da escola, que não queria um reinado prolongado. Como o tema mexe muito com seu coração, ela nos conta se pretende voltar ao carnaval como ‘rainha’ em outra escola e se já sente saudades da Avenida. “Quando a escola me convidou, eles falaram que não queriam alguém que ficasse por muito tempo, mas eu não tinha ideia do tempo desse reinado menor. A cada ano, ficava na expectativa: “Será que é agora?”. E sempre dando o meu melhor, porque aquilo era algo que eu queria muito. Sempre achei tão mágico, tão espetacular o carnaval, tudo o que ele representa. Ir a uma escola e ver um quadrado de isopor se transformar em uma alegoria, é algo mágico. Sempre fui apaixonada e tive o privilégio de viver isso por quatro anos”, diz.
Se fiquei triste por ter saído? Fiquei, porque era algo que amava fazer. Não tenho pretensões, porque as coisas dependem de muitos fatores. Confesso que estou buscando me afastar um pouco dos assuntos carnavalescos, mas é difícil conseguir. Não sei como será o carnaval 2026, mas estou querendo viajar. Acho que o coração vai ficar muito balançado. A gente faz um plano e a vida vem com outro – Erika Januza

“Se fiquei triste por ter saído do posto? Fiquei, porque era algo que eu amava fazer. Não tenho pretensões, porque as coisas dependem de muitos fatores” (Foto: Reprodução/Instagram)
A atriz conclui o assunto falando com carinho do próximo carnaval da escola que abraçou. “Esse ano a Viradouro vai trazer o Ciça no samba-enredo, têm outros sambas-enredos incríveis. Carnaval é uma época de aprendizado, de engrandecer a nossa cultura. Os carnavalescos sempre trazem enredos que nos ensinam muito. Mas eu acho que ficarei menos ligada dessa vez”.
Saia Justa
No ‘Saia Justa’, ao lado de Eliana, Bela Gil e Tati Machado (afastada após a sua perda gestacional), e mais recentemente com Juliette; Erika comenta como tem sido a experiência de se colocar de forma mais explícita diante do público. “Falar de forma direta te dá mais responsabilidade. Uma coisa é você, como atriz, falar um texto. E em uma entrevista, você pensa, raciocina, aquilo pode ser editado depois. Em um programa onde expõe as suas opiniões, é você ser você o tempo todo. É um recorte do que pensa”.
Não estou ali para falar de uma pesquisa feita. Estou ali para falar a opinião da Erika sobre um tema. E nem sempre vai agradar. Às vezes, penso: “Será que isso vai agradar? Será que vão me ‘cancelar’?”. É claro que me expor dá medo, não vou mentir, mas estou tentando ao máximo falar o que penso, e não algo para agradar alguém. E partindo do ponto de vista das minhas experiências – Erika Januza
E faz questão de pontuar: “Fizemos um programa sobre maternidade, eu não sou mãe. Mas muitos temas que não vivemos, falamos sobre pontos de vista. É uma conversa, uma troca com quem está em casa e com as meninas. O ‘Saia’ faz pensar há muitos anos, debater. Ninguém está querendo ensinar nada. São trocas de opiniões e vivências. Acho que minha vida pessoal se mistura sempre com a profissional, de alguma forma. Quero crescer na minha profissão, acho que o programa vai me ensinar muito porque cada tema é enriquecedor. Quanto mais cresço como profissional, cresço como pessoa. O meu trabalho me ensina muito. E através dele eu consigo representar um monte de gente”.

Erika Januza está na nova ofrmação do ‘Saia Justa’ 2025 (Divulgação)
Amadurecimento
Erika também avalia os significados embutidos no marco dos 40 anos. “É muito estranho, porque estou comemorando 40, mas sigo sendo a mesma pessoa, só que com outra idade. É claro que amadureci, aprendi muito. Estou em uma fase de me importar menos com algumas coisas que me importava mais. Sobre as conquistas significativas, existem alguns trabalhos que realizei. Estou em um momento de fazer um programa tão importante, em que se fala sobre coisas mais maduras, que propõe uma reflexão sobre os assuntos. O ‘Saia Justa’ veio presentear esse novo ciclo. Venho fazendo trabalhos publicitários tão legais também. Tem um agora com o Banco 24 horas em que estou rodando o país registrando as festas típicas do país, desde as maiores até as menores. E é tão legal conhecer quantos ‘Brasis’ tem dentro do Brasil. Um momento em que tenho aprendido muito com as pessoas que encontro. Tenho visto as coisas com outro olhar”, reflete.
Fico muito feliz por encontrar pessoas que falam que se sentem representadas por mim. Algumas com sonhos como os meus, que desejam ser atrizes. Referências que não tive, tanto na infância e quanto na adolescência. A gente luta pela igualdade, pela diversidade…mas ver iguais conquistando coisas, mostra que é possível sonhar. Sem romantizar. Ainda temos passos largos para dar, mas o hoje é melhor que ontem. E espero que o amanhã seja melhor do que hoje – Erika Januza

Erika Januza avalia os ganhos da chegada dos 40 anos (Foto: Reprodução/Instagram)
Tem alguma vitória sua que pouca gente conhece, mas que foi imensa para você? “Uma delas é relativamente pequena, mas, para mim, naquele contexto, foi muito grandiosa. Eu participava de uns concursos de beleza ali na minha cidade, no entorno de Belo Horizonte, e nunca conseguia ganhar. Sempre ficava em segundo, terceiro, quarto lugar… até que teve uma vez que ganhei. E só tinha eu de mulher negra ali. Me lembro que aquilo foi uma vitória muito grande, tinha uma sensação muito forte. Eu nem tinha tanta consciência sobre representatividade, acho que não tinha tanta consciência sobre as questões raciais”. E continua recordando o momento que a marcou:
Lembro que a mãe de uma das meninas que havia ficado em segundo ou terceiro lugar ficou muito brava. Muito mesmo. Ela olhou para mim e disse: “Horrorosa”. No meio daquela felicidade toda que eu estava sentindo, aquilo me bateu e nunca esqueci. Ela estava com raiva porque eu tinha vencido e não a filha dela. E pensei: “Será que se a candidata que tivesse ganhado não fosse negra, ela teria feito aquilo?”. Fiquei mexida, mas não estragou a minha comemoração – Erika Januza

“Fico muito feliz por encontrar pessoas que falam que se sentem representadas por mim. Algumas com sonhos como os meus, que querem ser atriz” (Foto: Reprodução/Instagram)
Com 17 produções entre a TV e o streaming, seis novelas — ela inclusive estará em ‘Dona Beja‘, trama da Max para 2026 —, Erika revisita o passado, quando saiu de sua cidade, Contagem, em Minas Gerais, se mudando sozinha para o Rio de Janeiro para tentar viver da carreira artística. “Mas antes, participei de muitos concursos. E lembro de passar com flores na catraca do ônibus. Ia com a minha mãe, segurando troféu, faixa. Essas pequenas vitórias eram muito importantes para mim. É importante valorizar as vitórias do hoje. É claro que ainda quero ter a vitória de protagonizar uma novela, mas é importante celebrar as conquistas do dia a dia. Temos o hoje, não o amanhã”, afirma, salientando o desejo do protagonismo, e quem sabe, já o atraindo para um próximo trabalho.

“Você ver iguais conquistando coisas, isso mostra que é possível sonhar. Sem romantizar. Ainda temos passos largos para dar, mas o hoje é melhor que ontem” (Foto: Reprodução/Instagram)
Dificuldades e aprendizados
Qual foi o medo que você mais demorou a contar para alguém — e o que finalmente encarou com a maturidade? “Acho que contar que você tem dificuldade financeira sempre é algo difícil. E passei por uma situação, que, mesmo já sendo atriz, não tinha dinheiro para pagar o meu aluguel na época. E como é que você compartilha isso? As pessoas pensam: “Ah, mas você já protagonizou, já fez isso ou aquilo”. Elas não esperam que você esteja em uma situação financeira difícil. E falar sobre dinheiro, a gente não aprende. Sou a favor de ter educação financeira nas escolas, desde criança. Mas quase larguei tudo e voltei para Minas, porque não estava conseguindo emprego. E isso também estava me fazendo duvidar do meu potencial como atriz”, desabafa.

“É um momento em que tenho aprendido muito com as pessoas que eu encontro. Tenho visto as coisas com outro olhar” (Foto: Reprodução/Instagram)
“E tenho muito medo de fazer teste, porque você sabe que está sendo julgado naquele momento. Então, quanto mais não passava em um, mais me sabotava. Já ia para alguns testes derrotada, sabe? Sou muito positiva, mas vivi essa época em que estava negativa. Não sabia como fazer para pagar o aluguel e tentava negociar com a proprietária do imóvel. Passei por uma situação de chegar a ir para Minas. Para a minha família, falava que estava tudo bem, não queria preocupá-los. E havia a pressão de perguntarem quando seria a próxima novela, o próximo projeto…e aquilo me deixava mal. Foi uma fase muito difícil. Até que eu estava em Minas, ainda não tinha voltado de vez, e pedi um teste para uma produtora de elenco, a Frida Richter e sou muito grata por ela ter me dado essa oportunidade. Também fiz contato com um preparador, o Diego Timbó, disse que não tinha dinheiro, mas precisava de ajuda. Ele passou o dia todo me preparando e fui para o teste com ‘sangue nos olhos’ no dia seguinte. Consegui passar para a novela ‘Sol Nascente’ (2016). Tenho carinho pela Frida, pelo Walter Negrão (autor), pela Suzana Pires (uma das autoras)…eles nem sabiam dessa minha história. Foram todos anjos enviados”.
Tenho pânico de ficar sem trabalhar. Depois disso, passei a me organizar, a pedir oportunidades de trabalho, coisa que não fazia porque era tímida. E entendi que tudo bem pedir trabalho – Erika Januza
Amor parceiro
Ela e José Junior estão juntos desde julho de 2023 e compartilham trajetórias de vida que, embora distintas, apresentam pontos de convergência notáveis, especialmente no que diz respeito à superação de desafios e ao compromisso com a transformação social por meio da arte e da cultura. Aqui, a atriz diz como é dividir a vida com o criador:
“Ele é um cara que não para de trabalhar. Assim como eu. Acorda às três da manhã para escrever. Mas sou a favor de ter o domingo para respirar, refrescar a mente. Aprendo muito com ele. Tanto com as vivências que teve, com as ideias que tem, com a forma como se relaciona. Ele é ótimo em relacionamento humano. Além das coisas que escreve, mesmo aquelas em que não participo. Os textos mostram os recortes sociais, a maneira como edita; pergunto o porquê das escolhas e ele explica. O Zé vai a fundo na vivência e quer mostrar para as pessoas da forma mais real possível. E acho que passo para ele isso de ter leveza, de parar um pouco para respirar. Busco ter essa troca. “Calma, relaxa. Você pode sorrir, respirar”, falo para ele. Acho que relacionamento é para somar. Ele me ensina e eu também ensino sobre sensibilidade, relacionamentos. Temos uma boa troca nesse lugar”.

José Júnior e Erika Januza esão juntos desde 2023 (Foto: Reprodução/Instagram)
Inspiração motivacional
Se a sua história fosse um livro, qual seria o título e porquê?”Adoro livro de autoajuda, então, seria algo como “Acredite em você”. Estou nesse momento, com o ‘Saia’, que é acredite na sua opinião, na sua verdade, e vai. O que tem reservado por vir, Deus sempre tem o melhor. Fazemos um plano e a vida faz outro”. E revela:
“Tem uma coisa muito interessante que aconteceu. O meu reinado acabou (na Viradouro), e fiquei triste. Mas tudo tem um ciclo, aconteceu perto dos 40 e surgiu o ‘Saia Justa’, que veio por causa do programa ‘Rainhas Além da Avenida’, que apresentei no GNT. Coincidentemente, os ensaios da Viradouro eram às terças-feiras. E eu era uma rainha que não gostava de faltar, só não ia se tivesse algo de trabalho. Às vezes, saía de gravação e ia direto. E o programa precisaria de mim todas as terças. Quando chegasse na época do carnaval, não conseguiria estar nos ensaios. Não gostaria disso, porque acredito que você precisa ser presente na escola. Deus estava preparando uma outra coisa grandiosa na minha vida. Por isso acho que esse título para um livro seria bom: ‘Acredite em você’, acredite no próximo passo. Você entende só lá na frente o que o destino te reservou. E dê o seu melhor para que coisas boas venham”.

“É claro que ainda quero ter a vitória de protagonizar uma novela, mas é importante celebrar as conquistas do dia a dia. Temos o hoje, não o amanhã” (Foto: Reprodução/Instagram)
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