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Em entrevista exclusiva, Alberto Hiar declara: “O maior sucesso da Cavalera é manter-se sempre jovem e sem preconceitos”

Empresário fala sobre o atual estado da moda, as dificuldades do setor no Brasil, a tendência do fast-fashion e seu olhar sempre voltado para o streetwear

Publicado em 24/01/2015 | Por Heloisa Tolipan

*Por João Ker

É indiscutível a importância da construção de um relacionamento próximo entre uma marca e seus consumidores. Na era da internet, uma grife se mantém antenada aos desejos e vontades de seus clientes através das redes sociais, onde comentários e likes dão uma ideia para posicionamentos futuros. Em relação ao varejo, as feiras de negócios que pipocam Brasil afora são essenciais para que os revendedores consigam passar adiante não só o produto, mas todo o conceito, qualidade e lifestyle que são implementados no início do processo criativo.  Em ambos os casos, Alberto Hiar, a mente pensante por trás da Cavalera, vem dando um exemplo desse tipo de conexão e expandindo ainda mais sua influência.

Alberto Hiar no backstage da SPFW, enquanto apresenta a coleção de Inverno 2015 (Foto: Gustavo Chams)

Alberto Hiar no backstage da SPFW, enquanto apresenta a coleção de Inverno 2015 (Foto: Gustavo Chams)

Criada há mais de 20 anos, a Cavalera cresceu e amadureceu junto ao seu público, mas ainda assim consegue falar com a nova geração de jovens rock ‘n roll que idolatram a marca e vêem nela não apenas um reflexo de seus comportamentos, mas também uma maneira de expressá-los melhor. Para divulgar sua aclamada linha de calçados e acessório, Alberto já montou seu QG na Feira Zero Grau e no SICC – Salão Internacional do Couro e do Calçado, além da recente CouroModa, em São Paulo, onde apresentou a nova coleção de Inverno 2015 repleta de detalhes e acabamentos em couro. Isso só para citar apenas algumas feiras desse Brasil gigante. No quesito consolidação de uma identidade, o empresário conseguiu, apenas no ano passado, ir de uma temporada cheia de críticas e manifestos políticos (como você viu aqui) durante a SPFW à evocação do universo lúdico dos contos de fadas, inspirado na história de João & Maria.

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HT bateu um papo com Alberto Hiar sobre o posicionamento da marca em relação aos seus consumidores, como a Cavalera consegue se manter em conexão com o estilo das ruas e como o empresário vê as mudanças nos negócios da moda, incluindo seu ponto de vista sobre a crescente onda do fast-fashion e das parcerias com celebridades. Leia abaixo!

HT: Como vê a importância de uma marca de moda expandir a sua abrangência para além das roupas, considerando que a Cavalera constrói todo um lifestyle em torno de si e de seu público alvo? 

AH: A história da Cavalera sempre foi muito atrelada ao lifestyle. Essa expansão para a linha de acessórios foi um movimento natural da marca para atender a demanda do público Cavalera. Os acessórios sempre serão um excelente negócio para as grandes marcas do mundo.

HT: O que acha de novas tendências do mercado como as coleções-cápsula com colaboradores-celebridades? Particularmente, acredita que é algo que cabe na Cavalera? 

AH: É uma forma de atrair mais desejo para a marca e não só em termos de mídia ou marketing. É uma forma de atrair o público para o consumo. Acreditamos que algumas são muito felizes com a parceria e outras nem tanto. Afinal, a escolha da celebridade tem de ser muito assertiva no que tange ao conceito da marca e esse é o maior desafio. A Cavalera acredita em outras formas de trazer esse universo das celebridades para a marca.

HT: Você e a Cavalera são considerados líderes influenciadores no segmento da streetwear. Como faz para manter a marca conectada com as tendências das ruas e o comportamento urbano mesmo depois de 20 anos de carreira e um sucesso comercial tão grande?

AH: Acredito que o maior sucesso da Cavalera é manter-se sempre jovem não só no design, mas, principalmente, livre de preconceitos, regras ou paradigmas. Eu observo o mundo, os acontecimentos e as oportunidades que existem. Estamos vivendo grandes transformações no que diz respeito a comportamento, costumes e isso não pode ser ignorado. Hoje eu viajo o mundo inteiro para fazer negócios e pesquisas. O mundo me inspira e o streetwear está no mundo. Adoro observar as pessoas e ver como pensam através das roupas que usam; adoro os jovens e as novas formas de pensarem e viverem. Para mim, trabalho e lazer se confundem, por isso eu amo o que faço. Acho que isso é o grande sucesso da Cavalera.

HT: Quais foram as melhores e piores mudanças que você já observou no comércio da moda ao longo desses anos?

AH: Hoje eu acredito que as mudanças, sejam elas boas ou ruins, têm sempre o lado positivo. A mudança faz com que a gente se movimente, pense em novas formas e possibilidades, e faz com que nos desafiemos constantemente a melhorar. O mundo está em constante mudança e este desafio faz com que não fiquemos estagnados.

HT: Qual a maior dificuldade de se trabalhar com moda no Brasil?

AH: Os impostos. Por isso é tão impossível trabalhar apenas com o Brasil dentro de uma marca. A mão-de-obra e as tecelagens também têm pouco investimento e isso compromete a qualidade do produto e a inovação necessária. Hoje, a coleção Cavalera tem passaporte, pois procuramos sempre o melhor fornecedor de tecido com preço competitivo, a melhor oficina etc. Estou sempre buscando essa competitividade no mercado, ou serei engolido.

 

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