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Eliane Giardini, no ar em “Eta Mundo Bom!”, acha que extinção do MinC por Temer foi uma “retaliação” aos artistas que apoiaram Dilma e Lula

Sobre a nomeação de Marcelo Calero à pasta da cultura, recriada por Temer no último sábado (21), a atriz considera que seja um momento de resistência; embora tenha "ótimas referências" do ex-secretário de cultura do Rio de Janeiro

Publicado em 24/05/2016 | Por Julia Pimentel

Trabalho não vai faltar para Eliane Giardini. Além da novela “Eta Mundo Bom!”, que será exibida até o fim de agosto devido ao calendário olímpico, ela também estará no elenco da minissérie “Dois Irmãos”, que será exibida em janeiro de 2017. Já nas telonas, a atriz contracena com o ex-marido, Paulo Betti, no longa “A Fera na Selva”, que está em processo de montagem – a dupla já interpretou a mesma história em um espetáculo no teatro. Apesar da posição politizada no atual momento brasileiro, Eliane disse que nenhum desses trabalhos é inspirado no panorama que estamos vivendo. E, segundo ela, também não aceitaria, caso fosse convidada. “Sou atriz e a minha contribuição é especificamente aí”, pontuou.

Eliane Giardini é Anastácia na novela das 18h da Globo (Foto: Reprodução)

Eliane Giardini é Anastácia na novela das 18h da Globo (Foto: Reprodução)

 

Em papo com o HT durante as manifestações que pedem a saída de Michel Temer da presidência, na última sexta-feira (20) no edifício Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, a atriz, que tem mais de 40 trabalhos na Rede Globo, emissora que é constantemente criticada e chamada de golpista nos recentes atos políticos, sociais e culturais, disse que nunca sofreu nenhuma orientação por parte do canal para não participar de protestos como o da última sexta-feira. “Até hoje, não houve nenhuma intervenção nesse sentido. Estou me expressando absolutamente livre nesse sentido. Vou onde eu quero, voto em quem eu quero. Nunca sofri nenhum tipo de comando ou orientação sobre isso”, afirmou a atriz.

Com diversas manifestações políticas aderidas por artistas de diferentes áreas, Eliane destaca a representatividade da classe no “governo de esquerda” como fator comum. “Os artistas têm um histórico nesses anos todos de governo de esquerda. Então, nesse momento grave, é natural que nós nos reunamos, principalmente, a partir daquela insensibilidade extrema de desativar o MinC sem nenhuma razão a não ser retaliação. É o penúltimo orçamento da União, é um Ministério baratíssimo para o governo. É obvio que era uma tentativa de dar o troco nesses artistas que, por tanto tempo, estiveram ao lado do governo da Dilma e do Lula” disse a atriz antes de o Presidente interino da República, Michel Temer, voltar atrás e recriar o Ministério da Cultura no sábado (21). Mais do que as atitudes dos governos petistas, Eliane destaca que o que está em jogo neste momento é a democracia brasileira. “A gente não pode aceitar o que aconteceu com uma canetada e usando brechas da lei. É muito difícil de aceitar. Essas ocupações que estão acontecendo no Brasil inteiro são de uma beleza e uma emoção enormes”, afirmou.

"É obvio que é uma tentativa de dar o troco nesses artistas que, por tanto tempo, estiveram ao lado do governo da Dilma e do Lula” (Foto: Reprodução)

“É obvio que é uma tentativa de dar o troco nesses artistas que, por tanto tempo, estiveram ao lado do governo da Dilma e do Lula” (Foto: Reprodução)

Quando ainda seria uma secretaria vinculada ao Ministério da Educação, o ex-secretário de cultura do Rio de Janeiro, Marcelo Calero já havia sido nomeado responsável. Agora, como Ministro, Calero segue no cargo. Embora a atriz Eliane Giardini não acompanhasse o trabalho do carioca à frente da pasta municipal, ela afirmou que possui “ótimas referências” sobre Marcelo Calero. Porém, destaca: “Eu acho que nessa situação, é um momento de resistência. Essa é a minha opinião”, declarou a atriz.

 

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