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Dr. Gabriel Basilio fala sobre o tratamento dos pacientes com fenda labial e palatina

Cirurgião plástico com subespecialização em operações craniofaciais, o capixaba de coração carioca trilha um caminho baseado no lado humano da Medicina. No consultório, na sala de cirurgia ou nas salas de aula, Dr. Gabriel acredita em uma profissão que atenda a estética como também o trabalho de reconstrução. Por isso, além dos procedimentos em prol do belo, ele também se dedica a cirurgias como as operações de lábio leporino e fenda palatina, suas paixões da profissão

Publicado em 15/01/2019 | Por Junior de Paula

*Por Dr. Gabriel Basílio

Hoje, a reabilitação das crianças que nascem com essa deformidade é completa. Não precisa ser mais uma sentença de muito trabalho ou uma deformidade permanente para quem tem o diagnóstico, ainda na gravidez, de que seu filho vai nascer com a fenda labial ou palatina. Na verdade, existe uma sequência de tratamento que começa desde o nascimento, por isso é importante fazer o diagnóstico o quanto antes. Hoje, com os ultrassons tão modernos, conseguimos identificar isso e, em seguida ao nascimento, começar a fazer o acompanhamento com o cirurgião plástico, que vai encabeçar uma equipe multidisciplinar, formada por pediatria, fonoaudiologia e odontologia. Então, desde o nascimento, a criança pode ter todo esse acompanhamento e vai conseguir ter a sua reabilitação plena dentro de um protocolo que começa com algumas medidas, como uma fitinha no lábio, uma plaquinha no palato para ajudar na sucção. Então, vamos acompanhando com a pediatria e quando ela tiver por volta de quatro ou cinco meses, operamos clinicamente o lábio.

A primeira cirurgia é o lábio, por volta de quatro a seis meses. Então, se o paciente só tem a fenda labial, só terá essa cirurgia. Se ela tem a fenda labial e a fenda palatina, por volta de um ano se opera o céu da boca. Continua-se acompanhando depois da cirurgia do lábio com cirurgião plástico, pediatra, dentista, fono, para poder desenvolver as habilidades pertinentes do desenvolvimento facial dessa criança. Por volta de um ano a um ano e meio, opera-se o céu da boca. Lógico que existem casos e casos, já que é uma deformidade com vários aspectos. Podem ser mais brandas ou mais complexas. Então, você operando nessa fase de um ano e meio, você permite a criança falar e se alimentar de uma maneira adequada, se a cirurgia for bem realizada com a reposição da musculatura do céu da boca, que vai fazer a oclusão da parte da boca, do nariz e da garganta.

Continua-se acompanhando essa criança, principalmente com a fonoaudiologia, porque como a musculatura estava posicionada de maneira errada, ela precisa conseguir falar e se alimentar direito. Para mim, o mais importante na reabilitação é exatamente a fala. Onde você consegue, após a cirurgia do lábio e do palato, reposicionar a musculatura e fazer a criança falar, se comunicar e se alimentar de maneira adequada, sem comprometer o crescimento facial. É nessa fase, até os dois anos de idade, que 80% do crescimento facial acontece. Você continua o acompanhamento dela até os seis, sete anos, quando os dentes caninos começam a crescer dentro do osso da maxila e você tem que preparar uma cirurgia que se chama enxerto ósseo alveolar, quando você tira um pedacinho de outra região, geralmente da bacia, e coloca na região do arco dos dentes, onde vai nascer o canino, para ele ter suporte e conseguir crescer de uma maneira adequada. Você faz essa cirurgia por volta dos seis aos oito anos, logo antes do canino sair no céu da boca.

Dr. Gabriel Basílio (Foto: Marcio Farias)

A última cirurgia ou é uma cirurgia de nariz para a adequação da ponta nasal, da columela, que é essa parte de baixo onde nasce o nariz, ou do dorso nasal, para fazer uma adequação ou uma cirurgia maior, chamada de cirurgia ortognática, onde faz uma adequação dos ossos da mandíbula e da maxila, que podem ter tido o seu desenvolvimento comprometido durante a infância, que a gente opera por volta dos 16 aos 20 anos. Então, é uma sequência de tratamento que é feito no mundo todo. Hoje, a gente sabe que através de três a cinco cirurgias em média e mais o acompanhamento durante a infância e a adolescência, o (a) paciente pode ser totalmente reabilitada, exercendo plenamente as suas funções, como artistas que foram pacientes fissurados ou presidentes ou médicos e até mesmo cantores. O tratamento da fenda labial e palatina hoje é uma realidade, que deve ser compartilhada para todo mundo poder se comunicar e se expressar plenamente.

Leia também: Focado em exaltar o lado humano da cirurgia plástica, dr. Gabriel Basílio é focado em operação craniofacial e acredita na experiência da profissão: “Uma carreira precisa ser construída”

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