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Dr. Gabriel Basílio, em sua coluna no site HT, explica os desafios da cirurgia craniomaxilofacial e comenta sobre o avanço tecnológico da medicina nesse setor

“Mesmo com toda a dificuldade financeira do estado do Rio de Janeiro, por exemplo, nós conseguimos dar um direcionamento ou um alento para estes pacientes, no entanto ainda longe do ideal. Geralmente, esta inviabilidade é devido à questão financeira, porque são tratamentos caros, afinal, o aparelho que distancia o osso do crânio tem um custo muito alto. Estes dispositivos estão disponível no SUS através de licitações demoradas que muitas vezes são afetadas pela corrupção. Existe a possibilidade de se comprar e operar, mas é complicado. Perto de um país desenvolvido como os Estados Unidos estamos anos luz atrás”, lamentou Dr. Gabriel Basílio

Publicado em 19/06/2018 | Por Ana Clara Xavier

Dr Gabriel Basílio é um dos colunistas do site HT (Foto: Sergio Baia)

Com a evolução tecnológica e a especificidade dos estudos, a medicina vem transformando cada vez mais a qualidade de vida das pessoas e a verdade é que não temos nem ideia do que os profissionais da saúde são capazes de fazer. Um exemplo disso são as técnicas presentes na cirurgia craniomaxilofacial, uma subespecialidade, na qual operam médicos da região cefálica como otorrinolaringologistas e cirurgiões plásticos. O colunista do site HT, dr. Gabriel Basílio, é especialista nesta área e contou tudo o que precisamos saber sobre este tipo de operação que atua em deformidades congênitas por alterações genéticas e causas externas como cigarro e medicações ingeridos entre a terceira e a oitava semana de gravidez.e/ ou adquiridas (trauma externo, tumor).

Este ramo médico trata pacientes com fissuras labiopalatal e outras alterações na estrutura dos ossos da face que podem dificultar o desenvolvimento do crânio e do cérebro. “Estas pessoas possuem uma alteração física, mas tem o intelecto e todo o desenvolvimento neuromotor adequado. Sendo assim, não possuem retardo mental, o que as diferencia são as divergências com a normalidade da face do crânio. Como o rosto é o cartão de visita, isto acaba impressionando as pessoas. Quem nasce com isto é submetido a várias cirurgias que vão melhorar esta aparência ao longo do tempo”, salientou. Estes problemas de formação podem ser descobertos ainda durante a gravidez devido à evolução tecnológica e os procedimentos são feitos, inicialmente, em bebês. Por mais que seja submetido a diversas cirurgias, a pessoa nasceu com uma deficiência, por isso deve-se ter em mente que uma reabilitação integral é muito difícil.

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Apesar destas alterações craniofaciais não serem prejudiciais ao intelecto do paciente, existem alguns casos em que é preciso fazer a cirurgia com urgência para não comprometer o desenvolvimento do indivíduo. “Um paciente que tenha parte do rosto muito retraída pode provocar uma insuficiência respiratória, sendo assim o bebê não vai conseguir se alimentar ou viver normalmente. Para resolver isto é necessário aumentar o crescimento do terço médio da face”, explicou. Além disso, quem tiver um terço médio muito retraído não terá apoio para o globo ocular. Sendo assim, o bebê pode perder a visão já que a córnea ficará exposta. Quem nasce com um crânio muito pequeno, por exemplo, terá hipertensão craniana o que faz com que o cérebro não consiga se desenvolver podendo levar a um retardo mental. “Neste caso, um neurocirurgião, a pedido de um craniofacial, implanta uma válvula que permite que o líquido produzido no cérebro seja escoado para outro compartimento do corpo. Aliado a isto, dá tempo de fazer uma operação de remodelamento craniano para expandir e permitir o crescimento cerebral”, comentou. Além destas cirurgias específicas, serão feitas inúmeras outras operações para melhorar a aparência do rosto e permitir um convívio social melhor.

Estas deficiências podem ser resolvidas de forma bastante eficiente através de uma operação de correção de lábio, enxerto ósseo, rinoplastia e entre outras. No entanto, em casos mais delicados, os procedimentos podem demorar anos para ter um resultado estético satisfatório. Nestes pacientes, são feitos pequenas incisões na pele com exposição óssea, ou seja, os próprios médicos causam pequenas ‘fraturas’ que vão permitir separar o crânio dos ossos da face. “Esta divisão é feita com aparelhos que fazem com que o médico consiga aumentar, aos poucos, a distância entre o crânio e a face. Dessa forma, o rosto é remodelado aos poucos trazendo, por exemplo, o terço médio para frente. Com osteotomias, é possível deixar o osso no formato desejado, seja através de um movimento imediato com fixação de placa e parafuso ou através de dispositivos que aumentem um milímetro por dia”, explicou. Além deste procedimento médico ser genial por si só, os instrumentos tecnológicos da medicina atual ainda permitem programar  como será feita a incisão. Através de uma tomografia computadorizada e uma impressora 3D, os cirurgiões conseguem criar moldes esterilizados que servem de guia para a osteotomia que será realizada, como prever onde será colocado o aparelho que permite este afastamento.  Este equipamento existe no Brasil, porém é mais comum no setor privado embora existam algumas empresas que estão barateando os produtos para serem comprados pelo Sistema Único de Saúde.

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No país em que vivemos, nem sempre uma família é capaz de custear todos estes procedimentos médicos utilizados, afinal, são feitas várias cirurgias para que o paciente fique inteiramente reabilitado. Sendo assim, quem precisa deste auxílio médico no Brasil pode recorrer à Operação Sorriso, quando há uma missão na sua cidade, ou ao Sistema Único de Saúde. Apesar de termos centros de excelência em Bauru, em Curitiba e algumas outras cidades, ainda estamos muito atrasados neste quesito, de acordo com doutor Gabriel, em comparação com outros países. “Mesmo com toda a dificuldade financeira do estado do Rio de Janeiro, por exemplo, nós conseguimos dar um direcionamento ou um alento para estes pacientes, no entanto ainda longe do ideal. Geralmente, esta inviabilidade é devido à questão financeira, porque são tratamentos caros, afinal, o aparelho que distancia o osso do crânio tem um custo muito alto. Estes dispositivos estão disponíveis no SUS através de licitações demoradas que muitas vezes são afetadas pela corrupção. Existe a possibilidade de se comprar e operar, mas é complicado. Perto de um país desenvolvido como os Estados Unidos estamos anos luz atrás”, lamentou. Ainda há muito a ser feito.

Contato: dr. Gabriel Basílio

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