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Dr. Alessandro Martins tira dúvidas sobre a reconstrução da mama após o tratamento do câncer

Em sua coluna quinzenal no site HT, o cirurgião plástico afirma: “Quanto mais precoce o diagnóstico da doença, menor a cirurgia e as sequelas. Portanto, mais fácil é a reconstrução da mama após o tratamento contra o câncer”

Publicado em 08/07/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Dr. Alessandro Martins

É importante entender que o câncer de mama pode ser diagnosticado e operado em diferentes fases da evolução da doença. Hoje, com a maior facilidade de acesso aos exames de imagem (mamografia e ressonância nuclear magnética das mamas) associada às campanhas de prevenção, as pacientes vêm sendo diagnosticadas em fases cada vez mais precoces do desenvolvimento do câncer de mama.

 

No entanto, algumas pacientes ainda chegam em estágio bastante avançado da doença (principalmente as que vivem em áreas mais carentes, que dependem do atendimento do serviço público). Quanto mais precoce o diagnóstico, menor a cirurgia. E quanto menor a cirurgia, menores são as sequelas e mais fácil é a reconstrução da mama após o tratamento do câncer.

O tratamento não é feito apenas pela mastectomia total ou radical. Existem também tratamentos em que apenas pedaços da mama são retirados. São chamados mastectomia parcial ou segmentectomia. A mama não é toda retirada, mas o pedaço extirpado leva a uma assimetria, já que uma das mamas fica menor do que a que não foi operada.

Pacientes submetidas a tratamentos segmentares de mama obrigatoriamente são candidatas à radioterapia. E este tratamento pode levar a uma retração cicatricial, com isso deformando a posição da auréola e outras referências anatômicas. Então, é indicado que, mesmo pacientes submetidas a ressecções segmentares da mama, tenham uma técnica de reconstrução associada; ou seja, que se leve algum tecido, seja ele o próprio tecido mamário para preencher a área que foi retirada, ou a reconstrução com prótese ou implante.

E que a mama contralateral (aquela que não teve câncer) também sofra algum processo de simetria. Como um pedaço foi retirado de uma das mamas, que algum processo seja feito do outro lado para que não fiquem diferentes. Quanto menor a mama, mais o segmento fará falta e mais importante será a paciente se submeter a alguma técnica de reconstrução.

Dr. Alessandro Martins (Foto: Sérgio Baia)

Entretanto, há pacientes que serão submetidas à retirada de toda a mama – ou seja, à mastectomia total. Hoje, com o diagnóstico cada vez mais precoce, é muito difícil que o tratamento seja tão agressivo a ponto de se retirar o músculo da parede torácica. Mas nem todas as pacientes que fazem a mastectomia podem ser candidatas a uma reconstrução definitiva da mama. Isso quer dizer que nem todas saem pós-mastectomia com uma prótese ou um volume ideal para a reconstrução.

Algumas pacientes, principalmente aquelas que serão submetidas à radioterapia e que têm que retirar grandes quantidades de pele (junto com a auréola e o bico), não podem comportar uma prótese na fase imediatamente posterior à mastectomia. Elas serão, então, submetidas a uma reconstrução intermediária. Precisarão colocar um expansor de pele (chamado expansor tecidual). Esse objeto nada mais é que uma prótese de mama vazia com uma válvula, através da qual o cirurgião injeta soro fisiológico no decorrer dos meses.

Essas injeções costumam ser semanais e levam de um mês e meio a dois meses para encher de soro toda a prótese. Com a prótese chegando no seu volume final, a paciente ganha pele para chegar em um volume que comporte uma prótese de silicone para a reconstrução definitiva.

É muito comum essa técnica de colocar o expansor não só nas pacientes que retiraram muita pele da mama, mas também naquelas que vão sofrer radioterapia, porque como a pele é muito fininha numa mastectomia, o uso da radiação em cima da prótese definitiva pode levar a problemas como a contratura capsular. Eis a vantagem do expansor, uma prótese temporária que, como o risco da contratura ainda é muito grande, previne o gasto de uma prótese de silicone definitiva.

Uma vez preenchido o expansor, depois de um mês e meio, dois meses da mastectomia, a paciente dá sequência a seu tratamento (radioterapia, quimioterapia ou os dois tratamentos juntos. Após o término das sessões (em torno de quatro a seis meses depois da mastectomia), a paciente parte para a troca definitiva da prótese de soro por uma de silicone, para a reconstrução final. O ideal é que o espaço entre a última expansão da prótese de soro – quando chega ao volume final – até a troca pela definitiva tenha no mínimo de três a quatro meses. A pele precisa ser esticada e perder a memória (perder a capacidade de voltar ao seu local original). E isso leva em torno de três a quatro meses.

Após a troca da prótese, ainda podem ser feitas outras operações de reconstrução de mama, como por exemplo, uma técnica na mama contralateral para adquirir mais simetria, a reconstrução do bico e da auréola… Normalmente, uma reconstrução de mama precisa de, no mínimo, duas etapas. Mas muitas pacientes vão precisar de três ou até quatro etapas para chegar a um resultado final no qual a mama reconstruída se torne o mais semelhante possível da mama contralateral, que é a mama que não apresentou o câncer.

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