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Dr. Alessandro Martins fala sobre a importância da mastectomia masculinizadora como afirmação de gênero

Em sua coluna quinzenal no site HT, o cirurgião plástico comenta: "Na operação, parte da transição do feminino para o masculino, são utilizadas técnicas diferentes da mamoplastia redutora, com cicatrizes escondidas no sulco da mama, simulando um peitoral maior, presente na maioria dos homens, e com aréolas e papilas menores. Isso resulta em uma aparência semelhante a dos homens"

Publicado em 29/11/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Dr. Alessandro Martins

O transgênero é um indivíduo que possui uma identidade biológica diferente da qual a pessoa se reconhece. Dessa forma, pode ser um homem (ou uma mulher) que se visualiza, se reconhece ou se interpreta no sexo oposto. Por muito tempo, as cirurgias que podiam ser feitas para a afirmação desses gêneros, que seriam a mastectomia, no caso das mulheres, e a reconstrução de uma neo-vagina, para os homens, eram procedimentos obrigatoriamente realizados em hospitais públicos ou universitários. Recentemente, a mastectomia masculinizadora teve liberação para ser realizada nos serviços privados com cobertura dos planos de saúde.

Os símbolos fálicos nas mulheres se caracterizam pelas mamas e, nos homens, pelo pênis. Então, os desejos dos transgêneros masculinos (mulheres que se interpretam como homens) seria a retirada das mamas, visto que remetem a uma feminilidade e ao seu perfil genético. Após avaliações psicológicas e endocrinológicas, dentro de um processo que pode durar até dois anos, os pacientes são liberados para serem submetidos a este procedimento.

Diferentemente da mastectomia relacionada ao câncer, essas mamas são operadas de forma que se assemelhem às masculinas. São utilizadas técnicas diferentes da mamoplastia redutora com cicatrizes escondidas no sulco da mama, simulando um peitoral maior, presente na maioria dos homens, e com aréolas e papilas menores. Isso resulta em uma aparência semelhante a dos homens.

Associado aos tratamentos hormonais, com crescimento de pelos, esta paciente assume um fenótipo masculino.

Dr. Alessandro Martins (Foto: Vinicius Mochizuki)

As complicações relacionadas a essa cirurgia são muito parecidas com a de qualquer outra operação de mama ou até mesmo a correção de grandes ginecomastias em homens com riscos de hematomas, necessidade de utilização de dreno para que não aconteçam acúmulo de líquido ou sangue no pós-operatório.

O objetivo dessa cirurgia é que o paciente consiga remover esse símbolo da feminilidade e possa, então, elevar sua auto-estima, se sentir integrado à sociedade com seu novo gênero, desfrutando de atividades como ir à praia e praticar esportes sem camisa. Uma vez que a maioria desses pacientes já possuem pelos corporais, barba, aumento de massa muscular, a mastectomia masculinizadora seria a última etapa desse processo de mudança de gênero.

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