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Dr. Alessandro Martins comenta novidades da 38ª Jornada Carioca de Cirurgia Plástica, realizada no Rio

Em sua coluna quinzenal no site HT, o cirurgião plástico alerta: ‘A moda da harmonização facial pode levar ao exagero e transformar uma face que seria naturalmente harmônica em um rosto desestruturado’

Publicado em 07/08/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Dr. Alessandro Martins

Entre os dias 1º e 3 de agosto, foi realizada, a 38ª Jornada Carioca de Cirurgia Plástica, no Rio. A Sociedade Regional do Rio de Janeiro trouxe para a cidade um curso mundialmente conhecido, o Baker Gordon, oferecido por cirurgiões americanos. Entre os assuntos principais, as cirurgias de face (entre elas a de rejuvenescimento facial – face lifting, rinoplastia e bleforopastia)  mais chamaram a atenção e amplamente debatidos durante o congresso. Nesses três dias, foram abordadas não apenas atualidades e mudanças técnicas: os participantes também puderam assistir a apresentações de resultados práticos.

Na cirurgia da face, ou seja, de rejuvenescimento facial, os conceitos atuais baseiam-se no tratamento das estruturas profundas, de forma a reestruturar a face de dentro para fora. Com isso, a tração da pele se torna menor. Os resultados estéticos são bem melhores, com menos estigmas e com cicatrizes mais discretas, uma vez que a tensão em cima da cicatriz se torna menor. A impressão é uma aparência o mais natural possível.

Na rinoplastia fica, como ideia, a defesa de uma cirurgia estruturada, em que a função do nariz é considerada primordial (claro que sem perder as indicações de alterações estéticas).  No entanto, a estrutura nasal, a preservação das cartilagens e das válvulas nasais, para que o nariz possa respirar bem, é considerada fundamental – e não somente a mudança da ponta, a redução de uma giba ou a correção de uma asa nasal.

Dr. Alessandro Martins (Foto: Márcio Farias)

Esses conceitos de rinoplastia nasal funcional estruturada foram não só amplamente discutidos por cirurgiões americanos como por cirurgiões brasileiros, ícones dessa técnica em nosso país. Nas cirurgias das pálpebras, foram abordados os temas de blefaroplastia superior e inferior. Assim como nos outros setores da cirurgia facial, a ideia atualmente é de cirurgias menos estigmatizadas, com menor retirada de pele e maior fixação dos cantos dos olhos, para não haver complicações ou alteração da angulação das fendas palpebrais por conta do processo cicatricial.

Em mesas compostas por cirurgiões plásticos americanos e brasileiros, e também por dermatologistas conhecidos do Rio de Janeiro, foram debatidas questões como preenchimento, harmonização facial e o uso da toxina botulínica para diminuição de rugas de expressão. Após a troca de experiências, ficou o alerta para não se extrapolar nesses procedimentos. A moda da harmonização facial pode levar ao exagero, principalmente por conta da vontade do paciente querer colocar mais e mais preenchedores. Pode transformar uma face que seria naturalmente harmônica em um rosto desestruturado.

Temas como contorno corporal também foram abordados – entre eles, a mamoplastia, a utilização das próteses de mama. Discussões como o risco de câncer associado às próteses também receberam mesas de grande importância dentro do congresso, enfatizando o que já falamos aqui, de que não há urgência para se trocar a prótese, mas que é necessário um acompanhamento para se verificar qualquer sintoma como aumento ou presença de líquido na mama. Aí sim, a paciente deve ser investigada para risco ou não de câncer.

Ainda sobre as cirurgias de contorno corporal, várias técnicas foram abordadas durante a Jornada, como lipoaspiração, lipoaspiração de alta definição com uso de Vaser (aparelho de lipoaspiração ultrassônico utilizado em cirurgias de alta definição HD e 3-D, para simular o contorno da musculatura abdominal de pacientes que praticam muita atividade física). Não apenas técnicas, como indicações, foram abordadas durante um dia inteiro de workshop sobre o assunto.

Os enxertos de gordura também mereceram muita atenção. Eles seriam considerados lipotransferências, e não seriam usados apenas no aumento dos glúteos, mas também no aumento das mamas, ou em busca de melhores resultados na reconstrução de mamas pós-câncer, em preenchimentos faciais e na harmonização facial associada à cirurgia de rejuvenescimento. O uso de gordura na estética das pálpebras.

A gordura tem sido utilizada em vários setores. Graças, também, ao se caráter regenerativo, uma vez que esse tecido gorduroso transferido possui células pluripotentes, mesenquimais, que têm a capacidade de se transformar em outro tipo de célula. Com isso, elas têm um fator de recuperação com melhor qualidade de pele, com aumento da produção de colágeno no local para onde essa gordura é transferida.

Da jornada fica a ideia de que técnicas antigas estão sendo adaptadas e aprimoradas aos conceitos atuais da cirurgia plástica – mas sempre com a ideia de que menos é mais. Deve-se ter cuidado para não se exagerar nas extrações de pele e nos volumes de gordura, volumes de preenchedor ou retirada em excesso das cartilagens nasais em busca de resultados estéticos. Isso, de certa forma, altera a função e pode levar a resultados desagradáveis a longo prazo. A ideia da cirurgia plástica hoje em dia é de trazer beleza, função, regeneração. Tudo isso a longo prazo. Com bons resultados em cinco, dez, quinze anos, sempre no período pós-operatório.

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