Gente & Comportamento

Dos palcos ao empreendedorismo: Drayson Menezzes sonha abrir um teatro e ter uma escola de arte

Ele está em quatro projetos simultâneos: série “Dependentes”, no Canal Futura, peça “Oboró-Masculinidades Negras”, show e inaugura a segunda loja de saias masculinas

Publicado em 02/12/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Domênica Soares

Drayson Menezzes é um dos grandes nomes de destaque em inúmeras áreas profissionais. Artista, músico e empreendedor… vem mostrando que possui muitos talentos. No momento, ele está tocando quatro projetos em paralelo: a série “Dependentes”, no Canal Futura; uma participação no show da cantora Tuane; a abertura da segunda loja de sua marca de saias em sociedade com o também ator Orlando Caldeira, a Galo Solto, quarta-feira, no Shopping Madureira; e a peça “Oboró – Masculinidades Negras”, em cartaz no Teatro Firjan/Sesi Centro. “Ainda me pergunto como consigo conciliar isso tudo na minha rotina. É cansativo, mas a realização é prazerosa. O segredo é organizar o tempo e achar janelas de descanso e descontração. Confesso que ainda estou aprendendo a colocar em prática essas habilidades”, frisa Drayson.

Drayson Menezzes fala sobre carreira agitada (Foto: André Damião)

Sobre a série “Dependentes” que foi recém lançada no Canal Futura, Drayson conta que seu personagem é o Kelvin, que participa do grupo de dependentes e codependentes químicos por conta da sua mãe, Vanda, que desenvolveu dependência em morfina após sofrer um acidente e receber essa droga em seu tratamento. “Ele é bastante tímido e dedica a maior parte do seu tempo a sua mãe. O meu personagem, assim como alguns outros da série, trata sobre como a dependência química afeta drasticamente a vida de familiares e amigos”. Em relação ao show com a cantora Tuane, ele comenta sobre seu interesse pela música. “Comecei a estudar canto há quase 10 anos, mas por muito tempo guardei esse lado para os musicais e espetáculos. Já fiz quatro e mesmo não sendo totalmente relacionados à música, eu cantava em algum momento. Agora estou começando a mudar um pouco o rumo e curtir os espaços de shows, porque tem uma relação muito mais direta com o público. Cantar no teatro é fácil para mim, mas estou começando a entrar nesses novos horizontes. A música é tudo para mim. No meu dia a dia se não estou ouvindo música, estou cantando. É comum alguém me mandar mensagem dizendo que passou por mim na rua e eu estava cantarolando por aí”, revela. 

Na série “Dependentes”, no Canal Futura, são abordados temas importantes como a dependência de drogas (Foto: Sérgio Rossini)

Em entrevista exclusiva ao site Heloisa Tolipan, Drayson comenta sobre a peça “Oboró-Masculinidades Negras”, que conta com a direção de Rodrigo França e texto de Adalberto Neto. O personagem de Drayson compõe o cenário retratado, que destaca a realidade do homem negro na sociedade atual. Tudo isso representado por meio de personagens com características semelhantes aos orixás, figuras religiosas e ancestrais das religiões afro-brasileiras. Ao todo, 14 atores contracenam e mostram como os personagens reagiriam a desconfortos ocasionados pelo racismo, mostrando que a peça possui vários questionamentos essenciais para a sociedade. Um de seus parceiros de palco é o empreendedor e ator Orlando Caldeira, que também é seu sócio na empresa Galo Solto, de saias masculinas, criada em 2018. 

Drayson Menezzes e seu sócio na Galo Solto, Orlando Caldeira (Foto: André Damião)

Em relação ao empreendedorismo na moda, Drayson conta que a receptividade do público está sendo incrível e tem aumentado muito. “Sempre uso saia no meu dia a dia e a todo lugar que vou. As pessoas comentam que querem uma ou tem um amigo que já usa. Outro dia fui pesquisar tecidos e o vendedor da loja sabia o nome do modelo da saia que eu estava vestindo. As pessoas veem a Galo Solto como um movimento que elas admiram e querem fazer parte”, conta.

Sobre o mercado empreendedor no Brasil, ele divide que é preciso pensar que uma grande parte dos empreendimentos no país são de subsistência, ou seja, negócios de uma pessoa só que surgem como tentativa de sobrevivência em meio à crise econômica. “Não é nada fácil empreender e a glamurização desse setor também é perigosa. É preciso muito trabalho e um olhar amplo e aprofundado sobre o mercado e suas mutações, público, produto e suas estratégias de venda e marketing. A dica que eu dou para quem quer empreender é pesquisar o que já é feito no campo do seu empreendimento. Aprender com os erros dos outros para não cometer os mesmos”, afirma. Para ele, administrar uma empresa e tocar a vida artística ao mesmo tempo é um desafio constante que gera muito aprendizado. “São saberes e energias muito distintas em alguns pontos, mas que se conectam em outros. A Galo Solto me dá um identidade enquanto artista e o meu círculo nas artes abraça muito a minha empresa. O mais complicado acho que é conciliar os horários: a Galo Solto me exige o horário comercial e o teatro me exigem a noite e os finais de semana”

Artista e empreendedor, Drayson comenta sobre cotidiano e novos trabalhos (Foto: André Damião)

Drayson conta que sempre foi hiperativo. Com 15 anos, ele dirigia um grupo de teatro, dava aulas particulares de química, física e matemática, dançava hip hop em uma companhia sempre em paralelo aos estudos. “Eu e minhas irmãs puxamos da minha mãe esse ritmo acelerado no trabalho”, dispara. Ele comenta que o lado prazeroso disso tudo é o da realização e segurança de poder saber e agir em frentes diferentes. Já o negativo é que esse ritmo alucinado acaba sendo natural. “Existe uma glamourização do super profissional que, por vezes, apaga a necessidade e importância do descanso, do lazer e do cuidado com a saúde física e emocional”, reflete. Ainda sobre saúde, o multiartista conta um pouco sobre suas experiências com redes sociais, tema de extrema importância e visibilidade. Segundo Drayson, as redes sociais têm muita influência em seus trabalhos, tanto na empresa quanto na arte. Ele divide que já passou por uma fase de ter preguiça de usar, mas que optou a atrelar suas redes ao que mais faz em sua rotina: trabalhar. “ A galera que me acompanha sempre comenta sobre as mil coisas que faço no dia e que servem de inspiração e motivação. Acho que o ponto negativo é que sem um olhar crítico as pessoas acabam acreditando na vida perfeita que se vende nas redes sociais, isso gera angústia e ansiedade. É preciso filtrar o que se consome, mesmo na internet”. 

Bastidores da série “Dependentes” (Foto: Sérgio Rossini)

Além de tudo isso, Drayson Menezzes está sempre ligado aos temas da sociedade. Ele é membro fundador do Coletivo Preto, ao lado de seu sócio, Orlando Caldeira, sua irmã Sol Menezzes e o amigo Licínio Januário. Esses quatro artistas realizadores negros são focados em criar, produzir e fomentar produções artísticas que colocam o homem e a mulher negra em espaços de protagonismo. O Coletivo existe desde 2016 e tem quatro espetáculos no seu repertório. Além desses espetáculos, os criadores realizam também um ciclo de leituras dramatizadas produzido por Drayson, batizado “Escrita Preta”, que conta com diretores, dramaturgos, atores e produtores negros. O ciclo teve participação do Fabrício Boliveira, Érico Braz, Tatiana Tiburcio, Rodrigo França, entre outros, e criou uma rede entre os profissionais que participaram do projeto. Alguns seguiram trabalhando juntos após o Escrita.

“Eu também sou professor e diretor da oficina #NovaVisão, do Coletivo Preto, de interpretação para teatro e vídeo. É uma oficina afrocentrada, direcionada ao público adulto que se propõe a questionarem as especificidades dos atores negros. A oficina foi pensada para alcançar um público diverso tendo um custo muito acessível, sendo realizada em uma região central e em um horário que as pessoas que trabalham pudessem participar. Tivemos aulas contínuas durante quase um ano e criou-se uma rede de apoio incrível entre os alunos. A partir da oficina criamos o Núcleo Nova Visão, uma incubadora de projetos culturais”, comenta. 

Drayson abrirá sua segunda loja de saias masculinas (Foto: André Damião)

Com o cotidiano em constante movimentação, Drayson conta que fora dos palcos e empreendimentos é uma pessoa tranquila que ama estar com os amigos e família, conversando e fazendo festas em casa, mas não esconde que também adora sair para dançar. Com muitos talentos, ele também possui muitos sonhos e destaca: “Tenho vários. Amo cinema e ainda sonho em fazer um personagem incrível em um filme. Tenho um desejo de ter uma escola de artes e um espaço de teatro próprios. Tudo isso focado nos negros”. 

Pesquisas relacionadas