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Com o carnaval, a Fiszpan se prepara para alegrar Cleópatras, melindrosas, colombinas e coelhinhas!

HT conversou com Daniela Fiszpan, a empresária que é soberana dos acessórios e perucas não só na folia, mas durante 365 dias do ano!

Publicado em 27/02/2014 | Por Alexandre Schnabl

Quando chega o carnaval, a Fiszpan ganha destaque. Não que a marca de 80 anos não chame a atenção das cariocas o ano inteiro, muito pelo contrário. Mas como seu mix de produtos versa entre uma quantidade absurda de acessórios e as famosas perucas que iniciaram o business, é natural que a loja seja referência para quem está querendo se montar, seja para se divertir em um bloco ou marcar presença em algum baile chique da cidade, como o do Copacabana Palace ou o da Cidade. É o que conta Daniela Fiszpan, herdeira da marca que dá prosseguimento ao negócio junto com sua mãe, Solange.

Negócio de mãe para filha: Solange e Daniela Fiszpan (Foto: Divulgação)

Negócio de mãe para filha: Solange e Daniela Fiszpan (Foto: Divulgação)

Para ela, o grande segredo da manutenção do sucesso – em um país onde tantas lojas abrem e fecham – é a perseverança, o treinamento e dedicação da equipe, aliadas a um olhar clínico que permite que sejam encontrados nas vitrines produtos em sintonia fina com as tendências do mercado internacional. E, claro, nesta época do ano, quase na boca do carnaval, aumenta o movimento da Fiszpan, com animados foliões correndo para uma das filiais para garimpar os complementos que vão dar o arremate perfeito para suas fantasias. “Obviamente vendemos nesta época muitas perucas de Cleópatra e melindrosas dos anos 1920, dois clássicos Chanel que sempre estão presentes nos bailes e fazem parte do imaginário feminino”, diz Daniela. “Mas, com a redução do número de eventos de gala no carnaval e o aumento avassalador dos blocos de rua, mudou um pouco o perfil daquilo que se procura nas nossas lojas neste período. Os fru-frus, prendedores de elástico para rabos de cavalo, por exemplo, estão bombando, cheios de mechas coloridas”, completa a empresária, lembrando que as tiaras e presilhas com flores ou brilhos também têm muita saída.

Perucas e miudezas mexem com a fantasia das mulheres e, assim, histórias divertidas não faltam. Dani comenta que adora quando os homens presenteiam as namoradas com perucas e que alguns desses clientes compram vários modelos, voltando à loja diversas vezes. Típico caso da grife contribuindo para a saúde dos casais, promovendo aqueles fetiches que apimentam a relação. Aliás, é por isso que a Fiszpan tem uma parceria longeva com o beauty artistFernando Torquatto, que há 20 anos atrás já fizera o make up do catálogo comemorativo dos 60 anos de existência do brand. Atualmente, ele desenha modelos de perucas inspirados em celebrities que são produzidas e postas à venda nas várias filiais. Agora, ele assina os modelos com cortes baseados no estilo das atrizes Isabela Rosselini, Meg Ryan e Sophie Charlotte, na top model Karlie Kloss e no ícone da moda Inès de La Fressange. “Nós temos a tecnologia da fabricação, mão de obra super qualificada, telas ventiladas e antialérgicas, e Torquatto opina com novos cortes. O resultado fica de altíssimo nível: perucas para uso natural com cortes super atuais. Afinal, as ideias não faltam, são sempre uma surpresa!”, comenta Daniela cheia de entusiasmo: “Ver uma cliente saindo feliz e satisfeita é algo indizível, verdadeiro jardim das delícias. Não tem preço!”  

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Fotos( Divulgação)

E, questionada sobre quais os modelos que as brasileiras – e, sobretudo, as cariocas – mais curtem, é enfática: as perucas na altura dos ombros, sendo o ruivo cobre a cor que mais sai, principalmente com reflexo para simular o efeito de que se tomou sol. Mas, além disso, os apliques parecem ser tendência forte e duradoura. A wig designer lembra que, em meados dos anos 1980, surgiu uma moda de apliques longos para cabelos presos e que fashionistas como a socialite Regina Marcondes Ferraz e a consultora de moda Cristina Franco, cada qual com seu próprio estilo, se encarregaram de difundir o modismo, que nunca mais saiu de cena. Por isso ela cita os rabos de cavalos (versáteis, podem virar coques, tranças e vários penteados) e os tic-tacs que alongam e dão volume, verdadeiros must have. Indispensáveis! E ela vai mais longe: “Adoraria indicar esses tic-tacs para aquela atriz norte-americana, Helen Hunt, que tem pouco cabelo. Resolvia em segundos suas madeixas ralas e ia ficar fenomenal”.

Por conta desse olhar clínico, a parceria da grife com o teatro, cinema e televisão já vem de longa data. “Em décadas anteriores, os clientes de teatro representavam uma maior parcela de nossos clientes. Hoje, isso mudou e a maioria dos espetáculos dos quais participamos é um apoio cultural porque a verba do teatro brasileiro, em geral, está muito limitada”, afirma Solange Fiszpan, sócia e mãe de Daniela. “Quando é possivel, damos apoio e participamos de filmes incríveis como “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, e de novelas como “Escrava Isaura”, na TV Globo, e “Marquesa de Santos”, na extinta TV Manchete, além de peças de projeção como “Cócegas”, de Heloisa Périssé e “O Mistério de Irma Vapp”, com Marco Nanini e Ney Latorraca, que se revezavam em inúmeros tipos. E neste momento, estamos apoiando “Sonhos de um Sedutor”, com Luana Piovani, e “Callas”, com Silvia Pfeiffer e direção de Marília Pêra.

Mas, dentre todas as ações da qual a Fiszpan participa, mãe e filha enfatizam o orgulho da parceria que mantém com o Inca – Instituto Nacional do Câncer – desde 2007. Através da campanha, a marca já ajudou 1200 pessoas. “Sempre tivemos muitos pedidos de doação de perucas, mas nunca foi possível contemplar todos. Decidimos que a melhor forma de atender essa demanda beneficente seria através da central de empréstimos da instituição, que faz um belo trabalho, organizadíssimo e muito sério. Os pacientes que entram na fila de espera da doação se beneficiam porque não têm mesmo poder aquisitivo para adquirir uma peruca, item essencial para sua recuperação e auto-estima”, ressalta Daniela emocionada, reiterando que no dia em que conseguiu ir à entidade para conferir de perto o trabalho, ficou emocionada: “Foi na festa do dia das crianças e até hoje me agradeço por ter ido lá e ver aquelas crianças tão guerreiras, que tem uma enorme alegria de viver. Verdadeira lição de vida”.

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