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Camila Pitanga fala ao HT sobre sua nova protagonista: “A agonia do rio São Francisco estar morrendo é um pouco a agonia interior dela”

A atriz está prestes a viver outra personagem de destaque no horário nobre global em menos de um ano: “Mas eu vivo enquanto estou gravando. Quando acaba eu me despeço. Estamos em um contexto totalmente diferente, o processo de trabalho é outro”

Publicado em 09/03/2016 | Por Karina Kuperman

Camila Pitanga, que trafegava no morro da Babilônia há um ano em horário nobre, agora será vista em chão de terra batida às margens do rio São Francisco. Para a atriz, essa vastidão do Brasil possibilita contar mil histórias e deve ser explorada nas telas: “Não é para desacreditar nas novelas urbanas, elas também contam a história do país. O legal é justamente trafegar. O Brasil é tão rico que tem que ter esse trânsito. É interessante conhecer todas as regiões nas telas. Veremos em primeiro plano, agora, o Nordeste, mas que venham novelas que falem do Sul também. Tem riqueza cultural e o que contar de sobra”, analisou ela que, prestes a viver Maria Tereza em “Velho Chico”, gravada no sertão, sintetizou: “É uma mulher que está voltando às suas origens, se reconectando com sua natureza interior e a natureza do Velho Chico. A agonia que esse rio passa, de estar morrendo, é um pouco a agonia interior dessa mulher que está tentando se reerguer e quem sabe se redescobrir”, explicou.

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(Foto: Reprodução/Gshow)

O motivo? A personagem é exportadora de frutas e já conheceu o mundo, mas quer voltar às raízes. “Ela viajou muito, mas é do interior, tem o pé na raiz profunda ao mesmo tempo que é sofisticada. Tem apreço por aquele lugar. É um personagem que vive uma crise existencial, está trocando de pele, querendo recuperar uma origem mais conectada com sua juventude e essência e tem muitas contradições. Ela não tem muitas certezas”, adiantou. Parte das dúvidas é, claro, no amor: “A ferida da paixão da adolescência que ela achava que tinha cicatrizado a deixa inquieta. Ela é casada com o Carlos Eduardo (Marcelo Serrado) e eles são grandes cúmplices e tem afeto e carinho, mas é apaixonada pelo Santo (Domingos Montagner). Digamos que o Carlos Eduardo é o marido e o Santo é o homem”, definiu.

Cheia de nuances, a personagem ainda lida com outra questão: o amor por um pai que a oprime: “ela é filha do Afrânio (Antônio Fagundes), um homem superopressor. Mas ela ama esse pai, então ela vive essa dificuldade de se ver tao diferente dele e ao mesmo tempo querer aproximar. Há um duelo constante entre esse pai e essa fila mas o pano de fundo é o amor entre os dois. A dificuldade do dialogo dói pra ela. Ela quer retomar o reconhecimento daquele lugar”, contou Camila, que admite: teve receio ao aceitar outro grande papel logo após “Babilônia”: “Mas a Regina eu vivi quando estava gravando. Quando acaba eu me despeço. Às vezes os trejeitos ficam, a Bebel (sua personagem em “Paraíso Tropical”) foi um pouco assim. Mas estamos em um contexto totalmente diferente, o processo de trabalho é outro”, disse.

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(Foto: Reprodução/Gshow)

O maior desafio? “Estar nesse caldeirão de talentos dessa novela”, elogiou, antes de destacar as atrizes com quem divide o papel. “A Julia Dalavia tem a assinatura dela, o talento incrível dessa jovem atriz que eu garanto: vai emocionar muita gente. Vou beber dessa fonte, da Julia e da pequena Isabella Aguiar que é fantástica. São referências, sim. Vou me banhar no mesmo rio”, garantiu.

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