*por Luísa Giraldo
As canetinhas coloridas se tornaram parte da rotina de Virginia Fonseca há cerca de três meses. A influenciadora se juntou ao grupo de apaixonados pelos livrinhos animados “Boobie Goods”, a febre do momento entre as Gerações Y (1981-1996), Z (1997-2012) e Alpha (2010-2024). Desde janeiro, o caderno está instigando o perfeccionismo dos internautas. A iniciativa, criada para promover o bem-estar mental, foi convertida em competição. Especialistas avaliam o sucesso de “Boobie Goods” e refletem sobre os limites entre diversão e perfeição.
Embora colorir seja geralmente associado às crianças, a trend revelou o saudosismo de jovens e adultos por atividades simples. O projeto foi criado inicialmente como conteúdo digital, porém ganhou destaque após o lançamento dos livros físicos, que propõem relaxamento e liberdade criativa.

Virginia Fonseca está viciada na febre do momento: pintar Boobie Goods
“Começou a aparecer um livrinho chamado ‘Boobie Goods’, de colorir. Muitas pessoas postam vídeos colorindo e fazendo sombreados. Os desenhos ficam muito lindos. E eu comprei, gente”, contou Virginia nos stories. Desde então, foram inúmeros vídeos com canetinhas e fotos dos desenhos. No primeiro caderno, ela escreveu que o material pertencia à “Vivibora”, apelido que ganhou na web dos seguidores. A criadora leva esse nome na brincadeira.
Meses atrás, quando precisou levar o filho mais novo, José Leonardo, ao médico, a criadora de conteúdo passou horas colorindo. É claro que ela compartilhou cada um dos desenhos na internet e incentivou milhares de pessoas a aderirem à tendência. “Já estou quase terminando o meu livro. Olha isso aqui. Vou ter que comprar mais. Tudo isso pintei no hospital”, disse ela, no Instagram.

Quando precisou levar o filho mais novo, José Leonardo, ao médico, a criadora de conteúdo Virginia Fonseca passou horas colorindo. (Reprodução/Instagram)
O vício continua firme e forte. Casal que rompeu o relacionamento há poucas semanas, Virginia e o cantor Zé Felipe fizeram uma grande festa para Maria Alice, primogênita dos dois. O brinde do aniversário de 4 anos foi um livrinho de colorir, no estilo “Boobie Goods”, em uma caixa com o nome da menina. A lembrancinha é chamada de “Caixa Bobine Goods”, que já conquistou as crianças.

O brinde do aniversário de 4 anos de Maria Alice, filha da influenciadora Virginia e do cantor Zé Felipe foi um livrinho de colorir, no estilo “Boobie Goods”, em uma caixa com o nome da menina. (Reprodução/Instagram)
Boobies Goods
Na crença comum, cadernos para colorir são destinados às crianças. Essa moda, no entanto, está revelando o saudosismo das brincadeiras infantis de um público não tão óbvio: jovens e adultos. Os “Boobies Goods” surgiram na Califórnia, nos Estados Unidos, criados pela ilustradora e Abbie Gouveia em 2021. O nome reflete o apelido de designer, “Bobbie”, combinado com “Goods” (“bens”, em tradução livre), cuja ideia é oferecer produtos que proporcionam o bem-estar e o relaxamento. A marca começou com desenhos digitais para colorir em celulares, mas bombou a partir dos livros físicos.
O intuito do material é oferecer um espaço descontraído e leve. Isso porque permite a liberdade artística, deixando que as pessoas se concentrem exclusivamente nas imagens a serem coloridas, sem a pressão de deixá-las coesas ou perfeitas. O livro, porém, tem despertado inúmeras reações contrárias. Viralizaram centenas de vídeos de internautas se esforçando para não borrar as linhas, criando jogos complexos de cor e, até mesmo, se exaltando por conta do resultado.
Até as marcas de canetinhas usadas viraram motivo de julgamento. Nesse contexto, de nada vale um desenho perfeito se o material não for caro. É ato performático e cansativo.