Gente & Comportamento

Bela Gil relembra o ‘caso da merendeira orgânica’ e comenta com HT: “Muita gente veio me elogiar pelo texto”

HT encontrou com a apresentadora de um programa de gastronomia no 26º Prêmio da Música Brasileira e lembrou do episódio que tomou as redes sociais na semana passada

Publicado em 11/06/2015 | Por João Ker

Bela Gil e o marido João Paulo Demasi durante o 26º Prêmio da Música Brasileira (Fotos: Felipe Panfili/AgNews)

Bela Gil e o marido João Paulo Demasi durante o 26º Prêmio da Música Brasileira (Fotos: Felipe Panfili/AgNews)

O 26º Prêmio da Música Brasileira reuniu a nata da classe artística nacional no suntuoso Theatro Municipal para celebrar os 50 anos de Maria Bethânia, como HT contou aqui. Dentre talentos da música e da dramaturgia, nós encontramos Bela Gil com o marido, João Paulo Demasi. A apresentadora do programa de culinária Bela Cozinha, do GNT, como você já leu aqui, contou para  gente como foi crescer próxima à homenageada da noite e engrossou o coro de elogios à Bethânia. Porém, como não poderia deixar de ser diferente, fomos parabenizá-la pela ótima iniciativa com a merenda da filha, que acabou se transformando em um ato político-social, como você também leu aqui.

Na época, Bela foi fortemente criticada na rede por mostrar a merendeira da filha repleta de produtos orgânicos, como batata doce e banana da terra. Bela revidou bonito e escreveu um post em seu blog oficial, dizendo que utiliza a comida para lutar por um mundo melhor. E contou ao HT: “Quase ninguém encara a comida como uma ferramenta útil, além do alimento. Depois que escrevi aquilo, várias pessoas vieram me elogiar e dizer que começaram a encarar o assunto de outra maneira”. O marido, orgulhoso, concordou, ao lado.

Veja aqui o que Bela escreveu à época:

“Fico contente em ver muitas pessoas apoiando uma alimentação saudável e consciente. Ao mesmo tempo entendo algumas pessoas criticarem a marmita da minha filha, pois acredito que elas não enxergam a alimentação como uma ferramenta política, econômica, social, ambiental e de saúde. Eu acredito que podemos mudar o mundo através da alimentação e são esses valores que quero passar para a minha filha no dia a dia. Tem gente que escolhe a música, tem gente que prefere a politica, outros preferem o esporte, a pintura ou os livros para lutar por um mundo melhor. No meu caso, escolhi a comida!!!

Coloco banana da terra e batata doce na lancheira da minha filha primeiramente porque ela GOSTA. Os outros motivos são diversos, porém complementares.

* Com a batata-doce e a banana da terra consigo mostrar pra ela o verdadeiro sabor da nossa terra, pra ela se lembrar que o sabor da infância era um sabor natural do Brasil e não de alguma formula artificial fabricada em laboratório.

* Me importo com a saúde da minha filha e por isso presto atenção na alimentação dela. Não considero biscoito recheado, salgadinho de pacotinho, e achocolatados como alimentos e sim produtos maquiados de alimentos que iludem tanto os pais quanto as crianças com seus poderes viciantes. Não quero deixar a minha filha dependente de uma indústria, quero educá-la para ser independente, poder preparar o próprio alimento e escolher o que quiser para comer no jantar.

* Nenhum lixo foi produzido com a merenda da Flor, fiz a granola em casa e a casca da banana virou adubo pra nossa pequena horta caseira. Porém, se tivesse colocado uma caixinha de achocolatado, um pacotinho de bolacha agua e sal e uma barrinha de cereal industrializada, seriam mais 3 embalagens jogadas no lixo que levariam milhares de anos para desintegrar.

Me lembro que quando eu era pequena o lanche servido na minha escola era pão com manteiga, biscoito recheado, sucos e café com leite. Já mais velha, tínhamos que comprar nosso próprio lanche na cantina que oferecia refrigerantes, salgadinhos, sanduiches, sorvetes, balas e chocolates. Com essa oferta, a criança cresce com uma má referência e influência na alimentação através da escola. Se os pais não forem conscientes e responsáveis pela alimentação dos filhos, incentivando o consumo de vegetais, frutas, legumes e cereais, eles crescem com o paladar já viciado em produtos industrializados, altamente açucarados e engordurados (com açúcar e gordura de péssima qualidade) que podem afetar sua saúde física e mental. Enquanto muitas cantinas forem grandes influências para uma alimentação de baixa qualidade, a saída é mandar a merenda das crianças de casa. E vale lembrar que a merenda escolar não é sinônimo de besteira, não é uma festa de aniversário ou uma ocasião especial, é o lanche que o seu filho come 5 vezes por semana, é a construção de um hábito. Então biscoitos recheados, salgadinhos, bolo industrializado e refrigerante não devem fazer parte de um lanche escolar.

Os valores estão invertidos na nossa sociedade. Muitas pessoas acreditam que saúde é sinônimo de mais hospitais, quando o ideal seria acreditar na promoção de uma alimentação e estilo de vida saudável para que não precisássemos de mais hospitais. Educação não é só falar por favor e obrigada e sim saber fazer escolhas que afetem o mínimo possível aos outros e ao meio-ambiente. Então, quando a sociedade enxergar a alimentação saudável como um investimento e garantia de qualidade de vida, quando cozinharmos pensando e respeitando a saúde do corpo, da terra e dos produtores, aí sim conseguiremos construir um futuro melhor.”

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