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#Atitude50: Kika Gama Lobo fala sobre a difícil decisão de internar membros da família em asilos: “O fato é que a assistência ao idoso engatinha no Brasil”

"Visitei vários locais. Caríssimo, ótimos, nojentos, pobrinhos. Vi de tudo. No Rio temos poucas opções. Tudo que é de qualidade é muito, mas muito caro", contou Kika, nossa colunista essencial, sobre sua experiência pessoal com sua tia de 91 anos

Publicado em 05/04/2018 | Por Junior de Paula

*Por Kika Gama Lobo

A coluna EU TESTEI desta semana é de utilidade familiar. Internei, há quatro anos, uma tia idosa em um asilo carioca. Fui super criticada. Como assim? Ela tem um apartamento próprio, pode muito bem ficar em casa. Viúva, sem filhos, discordei. Ou melhor, tentei muito antes. Foi um inferno em nossas vidas. Coloquei uma empregada que dormia 4 dias na semana. Eu fazia as compras de supermercado. Alimentava a geladeira, mas minha tia trazia traços de inanição. Não entendia. Só com o tempo percebi que a empregada oferecia comida, mas a primeira negativa, tudo era retirado. O idoso requer paciência. Outro problema era a urina. Ela vivia com infecção urinária. Não conseguia chegar ao toalete a tempo e se urinava toda quando o problema não era mais grave: o número 2. E a confusão mental. E a solidão. Além dos probleminhas de sumirem coisas do apartamento. Não sei ao certo se era furto ou se ela de fato escondia as coisas e não sabia onde as colocava. Pensei muito, mas tomei essa decisão. E fiz uma pesquisa. Visitei vários locais. Caríssimo, ótimos, nojentos, pobrinhos. Vi de tudo. O fato é que a assistência ao idoso engatinha no Brasil. No Rio temos poucas opções. Tudo que é de qualidade é muito, mas muito caro. Como tinha uma amiga trabalhando com serviço social em um lar francês, achei por bem conhecer. Hoje minha tia está no Pavilhão da Associação Francesa de beneficência no Caju, que funciona dentro do Lar São Luiz da Velhice. Ela está com 91 anos. Às vezes acho que tem 200. Outras, 40 anos. Um dia bem, outro dia médio. A visito, em média, uma vez por mês. Deveria ir mais. Eu sei. Mas aquele local me faz mal. Preciso ser sincera. A cada visita um interno faleceu. A cada visita, uma mudança de equipe. Tudo lá é temporário. Mas me trouxe de volta meu bem-estar. E sobretudo o dela. Nunca mais teve uma infecção. Engordou. Está sempre rodeada de gente. E da maneira dela, conversa, assiste TV, participa de festas e espera. Espera o destino de cada um de nós. É triste envelhecer.

SERVIÇO

LAR SÃO LUIZ DA VELHICE – Pavilhão FRANCES

VISITAS A SEREM AGENDADAS COM ASSOCIAÇÃO FRANCESA DE BENEFICIENCIA

TEL: 21- 2532 2421

O ASIILO FICA NA RUA GENERAL GURJÃO, 553, NO CAJU, RIO DE JANEIRO

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