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As várias faces de Bruna Linzmeyer: atriz irá viver MC em “A Regra do Jogo” e aplaude o empoderamento feminino das funkeiras

Depois de interpretar uma meretriz, uma autista e uma professora sonhadora nas telinhas, Bruna agora dá vida a Belisa, uma garota de família aristocrata que abandona tudo para viver na comunidade e se tornar artista de funk

Publicado em 28/08/2015 | Por João Ker

Desde que surgiu no horário nobre da Rede Globo como a transgressora e decidida Leila, de “Insensato Coração” (2011), Bruna Linzmeyer tem se metamorfoseado a cada papel que escolhe. Na curta, mas impactante carreira em frente às câmeras, a atriz já viveu a meretriz Anabela Fernandes Prado no remake de “Gabriela” (2012); Linda, a garota autista que não é compreendida pela família em “Amor à vida” (2013); e a sonhadora Professora Juliana, de “Meu pedacinho de chão” (2014). Agora, em bate-papo com HT durante a festa de lançamento de “A regra do jogo”, Bruna conta como foi sair mais uma vez de sua zona de conforto para viver Belisa, sua personagem na novela, que decide se tornar uma MC.

Bruna Linzmeyer caracterizada como Belisa para "A regra do jogo" (Foto: Divulgação)

Bruna Linzmeyer caracterizada como Belisa para “A regra do jogo” (Foto: Divulgação)

Belisa vem de uma família aristocrata, mas por conta da falta de estrutura e apoio familiar que sente dos pais, decide abandonar o luxo e ir morar no Morro da Macaca. Ali, na comunidade fictícia comandada por Adisabeba (Susana Vieira), a garota irá começar uma carreira como MC, com direito a números musicais, por parte de Bruna. Na conversa que você lê abaixo, ela conta como foi mergulhar no universo do funk, quais cantoras a inspiraram, a preparação para a personagem e sua relação com a nudez. Vem com a gente:

Bruna Linzmeyer fez aulas de canto e dança para viver Belisa em "A regra do jogo" (Foto: Divulgação)

Bruna Linzmeyer fez aulas de canto e dança para viver Belisa em “A regra do jogo” (Foto: Divulgação)

HT: Como tem sido a expectativa para essa novela em relação à audiência, ainda mais considerando que “Babilônia” ficou bem abaixo do esperado?

BL: Eu sempre quero dar o melhor de mim, não importa qual é o papel ou o projeto. Acho que na minha profissão há algo muito bonito, porque dependemos do olhar do outro – seja do público, do diretor, do nosso colega de cena… Então, às vezes, não é dando o seu todo que você atinge o sucesso.

HT: E como tem sido trabalhar com a caixa cênica na TV?

BL: Incrível! A equipe fica muito reunida, porque a câmera sempre existe ali, mesmo que a gente não veja. É maravilhoso e diferente, e acho que a Amora Mautner conseguiu dar um ritmo mais acelerado, com muita improvisação.

HT: Você acha que isso exige um mergulho mais profundo no personagem? Como é isso para você, por sinal – consegue se desligar muito fácil dos papeis que vive nas telas?

BL: Depende muito do papel. Já tive vezes em que achei necessário mergulhar completamente no universo do personagem, como a Linda, porque eu não podia escorregar ali, já que era um mundo tão diferente. Mas não existe uma regra, acho que o mais difícil é estar conectado. Nessa novela, por exemplo, eu consigo ser a Bruna no set e a Belisa durante o café da manhã.

HT: Como foi o seu trabalho de pesquisa para a Belssa? Você já tinha alguma familiaridade com o funk?

BL: Sim, já curtia bastante o funk. Para a Belisa, pesquisei bastante sobre o gênero, descobri novos artistas que eu não conhecia, mas também procurei saber sobre como é viver nesse meio aristocrata, com tanto dinheiro.

Bruna Linzmeyer fotografada por Jorge Bispo para a revista #1

Bruna Linzmeyer fotografada por Jorge Bispo para a revista #1

HT: E, na sua opinião, qual MC se assemelha mais ou pode ter inspirado na composição da Belissa?

BL: A Ludmilla e a MC Sabrina, com certeza. Acho que tem muito a ver essa forma como elas se impõem no mundo delas, mostrando que os homens não são tão importantes assim. Aplaudo muito essas mulheres, que conseguem ser exemplos de empoderamento feminino. É admirável.

HT: Como foi posar nua para a revista #1, de Jorge Bispo, e qual a sua relação com o próprio corpo? Se sentiu à vontade o suficiente para não usar o Photoshop no ensaio?

BL: O nu é muito raro hoje em dia, e eu acho que tudo começa com o olhar. Parece que as pessoas agora têm medo de trocar coisas, isso tem se tornado algo muito raro. A partir daí, o nu da revista foi mais uma consequência. E eu achei muito importante não ser retocada nesse projeto, porque acho que os corpos e as relações já andam muito photoshopadas atualmente.

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