Após congelamento de óvulos, atriz Yana Sardenberg revela que decidiu ser ovodoadora e fala sobre tabus do tema


Aos 34 anos, a atriz que começou a carreira aos 7 anos e se tornou conhecida por papéis na novela ‘Floribella’ (2006) da Band, e na série da Netflix ‘De volta aos 15’ (2022-2024), revelou que, recentemente, além de congelar seus óvulos, tornou-se também ovodoadora. O propósito é integrar uma corrente do bem: mulheres jovens doando para ajudar mulheres mais velhas que, por alguma razão, não conseguem ter seus filhos com óvulos próprios. Yana compara o gesto às suas outras doações para ajudar o próximo, como as de sangue, medula e orgãos. Nesta entrevista, Yana fala da decisão, da opinião da família a respeito, dos preconceitos e tabus sobre o processo: “As pessoas superestimam DNA e desconhecem epigenética. Perguntar sobre óvulos doados é como perguntar sobre sangue doado: para quem foi a bolsa de sangue que você doou? Receber uma doação de medula pode alterar o tipo sanguíneo de quem receber a doação, por exemplo, e isso não torna o receptor ‘propriedade’ do doador. Óvulo não é embrião. Existe um longo caminho até que chegue o momento de gerar uma vida. Muitas etapas e um mar de probabilidades. Doar óvulos, é doar esperança”

*Por Brunna Condini

No centro do debate, o importante (e cercado de tabus) processo de ovodoação. Para algumas mulheres, o processo para engravidar é mais desafiador, por conta da baixa produção e qualidade de óvulos. Desta forma, a ovodoação se tornou uma via de esperança. Para falar do tema, conversamos a atriz, Yana Sardenberg, 34 anos, que decidiu recentemente ser uma doadora de óvulos. A decisão foi tomada após passar por outro procedimento, o de congelamento de óvulos. “No laboratório conheci o Banco de Óvulos Sonhar +. O propósito dele é ser uma corrente do bem: mulheres jovens doando para ajudar mulheres mais velhas que, por alguma razão, não conseguem ter seus filhos com óvulos próprios. Me encantei! Assim que ouvi falei: “Quero participar! Quero doar”. Sou doadora de tudo! Sangue, medula, órgãos…e por que não de óvulos?”.

Entre as exigências para que uma mulher se torne doadora, assim como Yana Sardenberg, está o limite de idade, até os 37 anos, por conta das taxas de fertilidade que começam a diminuir. A receptora não tem limite de idade, mas precisa ser saudável e passar por uma avaliação médica para definir se pode ou não receber os óvulos e levar uma gestação adiante. Além disso, a doação pode ser anônima – neste caso, a doadora não sabe para quem serão destinados os óvulos e não tem contato com a mulher que vai recebê-los – ou direta entre parentes de até quarto grau desde que não incorra em consanguindade.

Vimos exatamente um exemplo de uma gravidez graças ao processo de ovodoação quando, nesta segunda-feira, a atriz Mariana Nunes surpreendeu ao divulgar no Instagram que está grávida de gêmeos. Em seu post, a atriz de 44 anos, contou que a gravidez é fruto de “ovodoação (óvulo doado), FIV e produção independente”. No caso de Mariana Nunes, o fator dificultador teria sido a menopausa, como escreveu em um trecho do texto.

Yana Sardenberg – que começou a carreira de atriz aos 7 anos e se tornou conhecida por papéis na novela ‘Floribella‘ (2006) da Band, e na série da Netflix ‘De volta aos 15′ (2022-2024), entre outros trabalhos no audiovisual – durante o procedimento de congelamento dos seus óvulos por conta de uma endometriose, descobriu que a ovodoação também poderia ser feita e ajudaria tantas mulheres. “Na verdade, quando me deparei com a endometriose veio junto a informação de que isso poderia prejudicar muito o meu sonho da maternidade. Comecei pesquisando sobre clínicas e todo o processo. Várias amigas já haviam congelado na Clínica Origen. Escolhi fazer lá por ser uma referência e fui entender todo o processo. Foi assim que tive conhecimento do banco de óvulos e me interessei pelo tema”, recorda.

A seguir, Yana analisa os tabus ao redor do assunto, diz como a família reagiu, e se em algum momento pensou em arrependimentos futuros após o processo.

Após congelamento dos óvulos, Yana Sardenberg revela que é ovodoadora, fala sobre os tabus ao redor do tema, de como a família reagiu e também do seu desejo de maternidade (Foto: Iude)

Yana Sardenberg revela que é ovodoadora e fala como a família reagiu e também do seu desejo de maternidade (Foto: Iude)

Desde que entrei nesse mundo ouvi histórias de ‘tentantes’, que passam anos buscando a gravidez. É muito desgaste emocional e financeiro. Para encontrar uma doadora existe todo um processo e tem que ter um match de características físicas, tipo sanguíneo e muito mais. Existe uma fila de mais de 150 mulheres esperando uma doadora. Entendi como uma oportunidade de, realmente, mudar a vida de alguém. Fazer a diferença de verdade – Yana Sardenberg

Yana Sardenberg descortina seu processo como doadora de óvulos (Foto: Iude)

Yana Sardenberg descortina seu processo como doadora de óvulos (Foto: Iude)

Como sua família reagiu a decisão? “Minha mãe estava no laboratório comigo e me apoiou imediatamente. Entendo que é um tema que envolve questões morais e até religiosas, mas me coloco no meu lugar: quem sou eu para achar que tenho o dom da vida ou que sou eu que ‘libero’ isso de alguma forma? Nem com toda a tecnologia do mundo existe uma garantia de 100% de chance de gravidez. Chegam perto dos 80% usando tudo que o homem e a tecnologia dispõem. Onde estão os outros 20%? O óvulo doado vai receber um espermatozoide, virar um embrião e implantar se tiver que ser, se estiver na hora daquela mulher receber seu filho na barriga. Além da epigenética (campo de pesquisa que estuda como o ambiente influencia o genoma)”.

 "Existe uma fila de mais de 150 mulheres esperando uma doadora. Entendi como uma oportunidade de, realmente, mudar a vida de alguém" (Foto: Reprodução/Instagram)

“Existe uma fila de mais de 150 mulheres esperando uma doadora. Entendi como uma oportunidade de, realmente, mudar a vida de alguém” (Foto: Reprodução/Instagram)

Mexe com seus sentimentos, de alguma forma, imaginar que poderão ter crianças com características biológicas suas por aí, após a doação? “Sonho com a maternidade, e em um futuro não tão distante pretendo ter meus filhos. Mas entenda: não terei filhos ‘por aí’ com a doação de óvulos. Outras mulheres com características semelhantes às minhas terão seus filhos – e serão felizes com eles, como serei com os meus. Você pode ter uma sósia no mundo com suas características genéticas e isso não faz dela membro da sua família, entende? Acrescento sobre a legislação: a doação é anônima, e nem fotos são compartilhadas, diferente de outros países. Não há possibilidade de rastreio de doadora ou receptora. Para se tornar uma doadora existe uma série de critérios, inclusive acompanhamento psicológico”.

As pessoas superestimam DNA e desconhecem epigenética. Perguntar sobre óvulos doados é como perguntar sobre sangue doado: para quem foi a bolsa de sangue que você doou? Receber uma doação de medula pode alterar o tipo sanguíneo de quem receber a doação, por exemplo, e isso não torna o receptor ‘propriedade’ do doador. Óvulo não é embrião. Existe um longo caminho até que chegue o momento de gerar uma vida. Muitas etapas e um mar de probabilidades. Doar óvulos, é doar esperança – Yana Sardenberg

"Existe um longo caminho até que chegue o momento de gerar uma vida. Muitas etapas e um mar de probabilidades. Doar óvulos é doar esperança" (Foto: Reprodução/Instagram)

“Existe um longo caminho até que chegue o momento de gerar uma vida. Muitas etapas e um mar de probabilidades. Doar óvulos é doar esperança” (Foto: Reprodução/Instagram)

Outra dúvida frequente, é no que diz respeito a arrependimentos após o procedimento. Já te ocorreu esta possibilidade?

A doação é fazer o bem sem olhar a quem, levar esperança para mulheres exaustas! Certamente eu me arrependeria se não fizesse. Para quem tem dúvidas: pesquise sobre taxas e probabilidades. Existem mulheres nadando por aí contra as estatísticas em busca do sonho da maternidade. O óvulo é um grão de areia no deserto dentro do cenário geral – Yana Sardenberg

Além de cuidar do que lhe é caro no campo pessoal, este ano é de muita dedicação para Yana também no campo profissional. Ela, que cresceu diante das câmeras, dá uma amostra dos projetos para 2025. “São trabalhos independentes, no teatro e no audiovisual, para realizar no Brasil e fora dele. Tenho estreitado bastante a carreira internacional. Fiz um curta-metragem em Londres que está indo para festivais. Também pretendo me aproximar mais de Portugal, porque tenho cidadania e sou de uma agência de atores lá”, conta.

Sobre a ovodoação

O processo envolve uma doadora e uma receptora e é completamente regulamentado. Quem pode doar, é a mulher que ou por tratamento de fertilidade, ou naturalmente, apresenta uma maior produção de óvulos. A prática de doação de óvulos é permitida no Brasil e regulamentado desde 2022, pela resolução nº 2.320 do Conselho Federal de Medicina. Uma das regras é que deve ser sempre voluntária e não pode ter caráter lucrativo ou comercial. Com o processo, o custo de uma Fertilização in Vitro (FIV) pode cair até 80%.

Atriz Mariana Nunes anuncia gravidez solo aos 44 anos através de ovodoação e FIV (Reprodução/Instagram)

Atriz Mariana Nunes anuncia gravidez solo aos 44 anos através de ovodoação e FIV (Reprodução/Instagram)