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Alexia Dechamps estuda entrar para a carreira política em 2020

A atriz fala dos 30 anos de carreira, da trajetória no teatro, da possível carreira parlamentar, do intenso ativismo e do desejo de retornar para a TV: "Estou com saudades e as pessoas me cobram isso. Acho carinhoso"

Publicado em 10/12/2019 | Por Heloisa Tolipan

Alexia Dechamps com sua cachorra, Lady Pituxa (Foto: Arquivo Pessoal)

*Por Brunna Condini

Aos 51 anos e prestes a completar 30 de carreira, a atriz Alexia Dechamps, em cartaz com o espetáculo “Dogville“, rodando algumas capitais brasileiras, se prepara também para tomar uma decisão que pode mudar o rumo da sua trajetória profissional. Ativista em prol das causas animais, ela foi convidada por dois partidos para se lançar candidata nas eleições e vem estudando a possibilidade de começar uma carreira na política. “Fui convidada para me candidatar à vereadora pela deputada federal Soraya Santos, do PL (Partido Liberal). Ela tem um trabalho interessante e quer montar uma bancada feminina com especialistas em algumas bandeiras. Fiquei honrada com o convite, mas provavelmente não vou poder aceitar”, revela. “E fui convidada pelo Patriota (PATRI), pelo deputado federal Fred Costa, de Minas Gerais, para já pensar em uma possível candidatura à deputada federal e, quem sabe, fazer parte da bancada ambientalista que foi criada no Congresso por ele e pelo deputado Ricardo Izar, de São Paulo. Isso já me animou um pouco mais. Até porque, em Brasília, eu estaria um pouco mais protegida como parlamentar. Acho o Rio um lugar perigoso para você levantar certas bandeiras, como essa do meio ambiente. Talvez em Brasília, como deputada federal, conseguisse fazer um pouco mais. Mas tudo ainda é muito embrionário, até porque minha carreira no teatro está indo muito bem. E ainda tenho tempo para responder sobre a candidatura de deputada federal. Mas estou honrada com os convites”.

Alexia com o deputado Ricardo Izar

O ativismo de Alexia só se fortalece. No fim do ano passado, ela ajudou a coordenar o resgate da Ursa Marsha, que vivia sob as altas temperaturas do Piauí, para um santuário o interior de São Paulo, com ajuda da FAB. Rebatizada de Rowena, a ursa morreu em julho deste ano, em decorrência de um tumor. Mas, além da causa animal, em quais outros temas ela gostaria de ser porta-voz? “Minhas bandeiras são basicamente a animal e a ambiental. Partiria para a cultura também e o combate ao feminicídio. Essa questão da violência contra a mulher mexe muito comigo. Gostaria de ajudar a Luiza Brunet, que tem feito um trabalho excelente nesta área. Ela é minha amiga de muitos anos”.

Alexia com a ursa Rowena no Rancho dos Gnomos (Foto: Divulgação)

A atriz compartilha as dificuldades que a preocupam em uma carreira parlamentar: “O que eu acho mais difícil na carreira política? Nossa, podia te dar uma lista. Tanto é, que estou muito receosa, acho perigoso por um lado. Tem essa coisa também de votar projetos que não sejam seu foco, para poder ter votação nos seus, isso é política. Mas acho complicado. Acho que é um dos piores momentos no país para aprovar projetos animais e ambientais” analisa. 

Paula Burlamaqui, o senador Randolfe Rodrigues, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Alexia e Luisa Mell, no dia da aprovação do projeto de lei “Animal não é coisa”

Ela conta ainda, que descobriu no ativismo animal sua missão. “Tenho estado muito no Congresso tentando aprovar leis, inclusive trabalhando nos gabinetes, junto aos deputados, para que isso aconteça. Estive no Senado com a Luisa Mell esse ano para aprovar o projeto de lei “Animal não é coisa”, e conseguimos! Mas é um trabalho de formiguinha, de corpo a corpo com os Senadores, para o entendimento destas questões”, diz. “Percebo que os projetos são muitos e eles não têm tempo de se familiarizar com o que vão votar. Acho isso complicado. É por falta de tempo, de poder acompanhar. Mas conseguimos um bom resultado nesta questão. Semana passada, eu estive no Congresso novamente para votação do projeto de lei que fala de reclusão e multas mais altas para maus tratos de cães e gatos. Somente esses animais, por hora. Andamos a passos de cágados no Brasil. A questão com os cães e gatos acaba sendo mais fácil de passar. Para os outros animais, entram outras questões, como rodeio e vaquejada, por exemplo, que, no nosso país, são culturais. Acho lamentável. É desprezo, falta de respeito, exploração animal. O Brasil ainda tem que caminhar muito, como outros países. Mas com a evolução do veganismo e do vegetarianismo tem uma consciência gigante vindo e isso me alegra muito”.

O deputado Celio Studart ao lado de Alexia Dechamps no Congresso

Alexia adotou Lady Pituxa, de 10 anos, e antes dela, Menina de Deus, que viveu até os 16 anos. “A Menina de Deus foi um grande amor da minha vida. E adotei a Lady Pituxa com sete anos, no projeto ‘Aconchego Animal”. É uma felicidade e eu recomendo essa dose de felicidade diária para todo mundo. Os cachorros são anjos na terra. Eles têm uma luz infinita, são só bondade e amor. Têm muitos cachorros precisando de um lar. Sou completamente contra essa história de comprar cachorro, acho esse mercado um horror. Têm muitos animais em centros de zoonoses, na rua. Mas é um direito do cidadão comprar. Fazer o quê? ”

a atriz ao lado de sua primeira cachorra, Menina de Deus: “Foi um grande amor”

O ano de 2020 começará movimentado para a atriz. Além do ativismo, da turnê de “Dogville”, ela vai comemorar as três décadas de estrada profissional, com uma nova adaptação de “Bodas de Sangue”, de Frederico Garcia Lorca, sob a direção de Jorge Farjalla. E para quem está com saudade ver a atriz na telinha, o ano que vem pode trazer boas surpresas. “Me dediquei mais ao teatro nos últimos anos, mas a volta para a TV vai se dar a qualquer momento. Já tive algumas conversas, acho que é questão de tempo”, anuncia ela, que está afastada da TV desde 2015, quando fez “Verdades Secretas”.

Larissa Maciel e Alexia Dechamps em cena de “Dogville”

E que balanço Alexia faz do caminho até aqui?

 “Me considero uma privilegiada por ter conseguido tantas coisas num país com tantas dificuldades, com tantos artistas talentosos, que não conseguem espaço para trabalhar. Sou grata, sempre trabalhei. Me orgulho de ter começado a trabalhar muito cedo e ter conseguido espaço primeiro como modelo, e depois como atriz. E de estar com o currículo teatral que estou hoje”, contabiliza. “A carreira de artista é uma carreira de altos e baixos. Na verdade, as pessoas acham que se você não está na TV, não está trabalhando, sumiu, que você é decadente. Nossa, quando as pessoas querem te ofender elas usam essa bobagem para falar. Então, você vê que são pessoas que não frequentam cultura, não vão ao teatro, cinema, assistem séries. O artista trabalha em várias gamas. Estou feliz. Tenho feito excelentes trabalhos no teatro, que era uma coisa que eu vinha buscando. Estou há quatro anos fazendo um projeto atrás do outro no teatro”.

Alexia em cena de “Dogville”

E o que sonha fazer como atriz ainda?

 “Quero fazer mais cinema e séries. E claro, voltar para a televisão. Estou com saudades e as pessoas me cobram isso. Acho carinhoso”.

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