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A Menina dos Olhos de Oyá e o guri da Mangueira: Maria Bethânia e Chico Buarque sobem em palco juntos após 15 anos de hiato

A ocasião foi nobre: o show de Verão da Mangueira, para captar recursos para a agremiação que, diga-se de passagem, homenageará Bethânia na Marquês de Sapucaí

Publicado em 27/01/2016 | Por Lucas Rezende

“Olhos nos olhos, quero ver o que você diz, quero ver como suporta me ver tão feliz”, cantava Chico Buarque, com voz baixa e performance igualmente cabisbaixa, diga-se de passagem, no final da noite de ontem no centro do palco do Vivo Rio, no tradicional show de Verão da Mangueira, no Rio de Janeiro. Foi quando Maria Bethânia, a grande homenageada da escola este ano, igualmente de branco, tomou de assalto a cena para se juntar a outro dos maiores gênios da Música Popular Brasileira. Dali em diante, juntos, cantaram “Noite dos mascarados”, interrompido momentaneamente por conta de um problema técnico: “Eu não ouço o Chico. Não vou cantar sem ouvir ele nem morta. Vamos fazer de novo, maestro?”. E não foi só: ela novamente soltou um pito para a turma da sonoplastia dizendo que não tinha nem “violão nem harmonia”. Mas era uma noite tão especial, tão mágica e tão cheia de encantos mil que, de repente, da tempestade se fez a bonança. Já só no palco, Bethânia entoou “Carcará”, “Vento de Lá”, “Reconvexo” e “O que é, o que é?” acompanhada da bateria Surdo Um da Estação Primeira de Mangueira – agremiação da qual é o enredo do Carnaval 2016 com “Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá”.

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O show, organizado com intuito de angariar fundos para o desfile da verde e rosa, também contou com as vozes de Mart’nália, Pretinho da Serrinha, Ângela Rô Rô, Rosemary, Sombrinha, Tantinho, Carminho (lusitana que entoou “Anda Luzia” e “Teresinha”), Mariene de Castro e Alcione que, por sua vez, foi quem chamou Chico Buarque ao palco com o chamariz de “guri da Mangueira”. A noite que, aparentemente seria tomada pelo samba bom carioca, acabou sendo abarrotada de canções ícones de Chico e Bethânia, como não poderia ser diferente, já que estava para completar 15 anos que a dupla não se apresentava junta no mesmo palco, e dos pares Caetano Veloso, Noel Rosa e Gonzaguinha.

Em tempo: desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, o enredo da Mangueira promete desaguar em um desfile baseado na vida e na obra da cantora que há 50 anos marca o cenário da música brasileira. O desenvolvimento do tema abordará a obra musical da cantora, sua relação com a poesia, com o teatro, além de abordar aspectos culturais ligados a Bahia, e, sobretudo, a região do Recôncavo. “Homenagear a Bethânia é uma ideia que estava guardada na gaveta faz tempo. Na Mangueira especificamente me senti confortável para levar o projeto adiante já que aqui ele encontra ‘terreno fértil’ para atingir a plenitude de seu desenvolvimento. Aos meus olhos, revela potencial para levar a Escola ao resgate de seu período áureo. O enredo junta vocações tradicionalmente bem sucedidas na Mangueira: homenagem, aspectos nordestinos, cultura afro e universo musical. Acredito que esses ingredientes serão os temperos da nossa volta por cima”, explicou Leandro.

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