Arte & Literatura

Ocupação Poética! Martinho da Vila é homenageado pelo lançamento de seu mais novo romance, “Barras, Vilas e Amores”

Com a presença de amigos e familiares, o cantor deu o ponta pé inicial ao novo trabalho literário e comenta volta aos estudos. "A gente não pode ficar parado. Eu procuro sempre evoluir. Por isso, estou estudando. E olha que me divirto bastante"

Publicado em 04/05/2016 | Por Leonardo Rocha

Sambista, cantor, compositor, escritor, diferentão, estudante… ufa! O que não faltam são adjetivos para tentar falar um pouquinho sobre a história de Martinho da Vila, que, aos 78 anos, lança seu décimo quarto livro intitulado “Barras, Vilas e Amores”. Em um evento cercado de amigos, o músico foi homenageado pelo projeto Ocupação Poética, no teatro do Centro Cultural Cândido Mendes, no bairro de Ipanema, no Rio, onde grandes personalidades da nossa literatura são reconhecidas por seus recentes trabalhos. Logicamente, nós, do HT, que não perdemos um lançamento, estávamos lá para te contar tudinho o que aconteceu.

Martinho d Vila com o livro "Barras, Vilas e Amores" (Foto: Divulgação)

Martinho da Vila com o livro “Barras, Vilas e Amores” (Foto: Divulgação)

Antes de mais nada, começamos aqui com um adendo. Muito se engana quem pensa que Martinho nasceu, de fato, em Vila Isabel, bairro da Zona Norte carioca. Apesar do amor que sente pelo local e pela escola de samba de mesmo nome, o dono de canções como “Madalena do Jucu”, “Mulheres” e “Canta Canta Minha Gente”, foi concebido na cidade fluminense de Duas Barras. Dali, o cantor retirou histórias para sua mais nova obra literária, onde se mesclam passagens de sua vida de bibarrense e curiosidades do mundo do samba. No recorrer da narrativa, ele ainda fala de personalidades como Noel Rosa, Zumbi dos Palmares, da escola de samba Unidos de Vila Isabel, das ruas do bairro, de amigos e família e da situação política e cultural do estado e do país.”O livro é um passeio. Ele começa e termina em Duas Barras. Barra da Tijuca é onde estamos, onde eu moro. Vilas são as vilas de Vila Isabel, da minha escola de samba. Fala um pouco sobre o bairro, sobre a história de Noel Rosa. E amores. Tem dois casos de romance que são ficções, criados mesmo para ilustrar essa história, mas as pessoas transitam por situações e lugares reais. Duas histórias que se misturam com o livro”, adianta o escritor.

A história central de “Barras, vilas & amores” é a origem do sobrenome dos Ferreira. Martinho da Vila (cujo nome de batismo é Martinho José Ferreira) nasceu e viveu até os quatro anos na fazenda Cedro Grande, em Duas Barras, hoje transformada em centro cultural que preserva todo o acervo artístico do sambista. Em formato de poesias, letras de músicas e prosa num mesmo contexto, a ideia para o romance surgiu a partir dos pensamentos de Martinho sobre política. “Eu estudo Relações Internacionais e decidi pôr um hipotético embaixador do Brasil que viaja muito e fala de seus amores por aí”, explica ele, que já declarou ser contra o impeachment da Presidente Dilma Rousseff, e ainda aproveitou para falar de seu retorno à vida acadêmica. “A gente não pode ficar parado. Eu procuro sempre evoluir. Por isso, estou estudando. E olha que me divirto bastante”, constata, com ares de que ainda vem muita coisa por aí.

Martinho da Vila no projeto Ocupação Poética (Foto: AgNews)

Martinho da Vila no projeto Ocupação Poética (Foto: AgNews)

Martinho dividiu o título de seu novo livro em três paixões: Duas Barras, onde viveu até os quatro anos, a Barra da Tijuca, onde mora hoje e vilas, que, claro, se trata de Vila Isabel, uma paixão que suplanta os anos. “Eu e a Vila Isabel nos fundimos. Eu sinto, no bom sentido, que a Vila é quase uma propriedade minha. Mas confesso que não tenho tempo para ficar lá integralmente. Tenho minhas ocupações. Mas se a Vila apresentar problemas é só me chamar. Nos tempos de crise, eu me apresento mais. Nas calmarias, vou cuidar da minha vida”, pondera o cantor.

Questionado sobre a difícil missão de construir um livro, Martinho revela que escrever música é um pouquinho mais fácil para ele. Ao longo dos seus 47 anos de carreira, o artista já emplacou a marca de 50 discos lançados no mercado fonográfico. “Eu sofro para escrever, é uma tarefa extremamente solitária e conheço gente que diz que chega a sentir dores fisicamente para criar uma história”, revela. “Gosto mais de fazer enredos, pois crio um tema e tudo transcorre de acordo. Fazer o samba é bom, bacana, mas a gente fica preso a um assunto”, compara da Vila.  Para ele, é inevitável não falar de Noel Rosa. “Noel foi o responsável por beber da fonte. Ele ouvia as pessoas do morro com seus dramas e problemas violentos e trazia os temas para o asfalto, falando com mais poesia e candura de tudo. Foi um dos responsáveis por falar de temas urbanos e amorosos”, define Martinho, que dedica um capítulo do livro a esse ícone da nossa MBP.

Famosos fizeram leituras de passagens importante do livro do cantor (Foto: AgNews)

Famosos fizeram leituras de passagens importante do livro do cantor (Foto: AgNews)

No evento em Ipanema, nomes como Zezé Motta, Maíra Freitas, Elisa Lucinda e Maria Ceiça não só prestigiaram o amigo, mas também fizeram a leitura de passagens importantes do livro. “Desde de que eu morava em Vitória (no Espírito Santo), o Martinho já era pra mim um pensador. Muito cedo eu saquei que ele era um educador informal. Mesmo sem querer ele é um filósofo. Ele é uma personalidade maravilhoso e hoje, lança esse trabalho incrível. Tenho orgulho de compartilhar esse momento com ele”, disse a atriz e escritora Elisa Lucinda. “É uma honra estar aqui participando dessa festa linda com o Martinho. Eu já o admirava desde sempre, mas nós ficamos mais íntimos quando ele me ligou e chamou para desfilar pela Vila Isabel. A partir dali, nos viramos grande amigos. É um artista e uma pessoa linda”, completou a atriz Zezé Motta.

Dentre os quatorze livros lançados, sejam eles infantis, juvenis, biografias ou ensaios, é nos romances, como “Joana e Joanes” e “Os Lusófonos” que Martinho ganha ainda mais força. Exemplo disso é o caçula da turma “Barras, Vilas e Amores”.

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