Arte & Literatura

Nos ensaios técnicos da Sapucaí, Mocidade se supera, Ilha desfila leveza e Mangueira faz festança discreta

Foi dada a largada para os ensaios técnicos das escolas de samba do Grupo Especial na Passarela do Samba. É claro que a festa já começou para muitos foliões

Publicado em 03/02/2014 | Por Heloisa Tolipan

* Por Pedro Willmersdorf

A menos de um mês da abertura oficial do Carnaval carioca, o Sambódromo deu início aos ensaios técnicos das escolas de samba do Grupo Especial do Rio, neste domingo (2). Ou seja, para os foliões mais ansiosos a festa já começou. E em grande estilo, diga-se de passagem.

Na noite de ontem, as arquibancadas (completamente lotadas, assim como as frisas da metade inicial da Avenida) acompanharam o desfile de Mocidade, União da Ilha e Mangueira. Um misto de superação e catarse tomou conta da atmosfera momesca. Abaixo você confere o porquê.

MOCIDADE

Às vésperas de seu treino mais importante, na Passarela do Samba, a Mocidade foi ‘agraciada’ com o afastamento de seu controverso presidente, Paulo Vianna, por determinação judicial. Um acontecimento que tumultuou o ambiente político da escola, mas não esfriou o espírito da comunidade de Padre Miguel, que chega ao Carnaval 2014 sob o lema “Vamos virar esse jogo!”, disseminado por Dudu Nobre, compositor do samba oficial da agremiação.

No carro de som, o sambista (comandando o canto ao lado de Bruno Ribas, intérprete oficial) era o espelho dos componentes que cruzaram a Avenida no ensaio da Mocidade: emocionado, levou o hino a plenos pulmões, como em uma verdadeira final de campeonato. E assim, com esse espírito de superação, a escola se apresentou.

Com a harmonia forte, a Mocidade arrepiou o público, mesmo com um samba de andamento arrastado em alguns momentos. Destaque também para o casal de mestre-sala e porta-bandeira (Rogerinho e Lucinha Nobre) e para a bateria quente dos mestres Bereco e Andrezinho (aquele mesmo, filho do lendário mestre André e integrante do Grupo Molejo). Uma performance que exibiu uma garra digna de quem quer, depois 10 anos, voltar no Sábado das Campeãs.

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Fotos: Lucas Landau

UNIÃO DA ILHA

O enredo sobre a magia dos brinquedos e do universo infantil não poderia ser mais adequado à União da Ilha, escola tradicionalmente reconhecida pela alegria e desenvoltura leve de seus componentes no desfile. E assim, ‘brincando’, a escola passou pela Avenida no ensaio deste domingo.

Sob a voz de Ito Melodia, um dos melhores intérpretes da atualidade, a agremiação insulana trouxe um contingente imenso de foliões (em sua grande parte, aliados a adereços com motivos infantis, como espadas, máscaras de super-heróis ou bolas) para a Sapucaí, o que deixou o desfile um pouco cansativo em determinado instante, afetando também o canto da escola.

O samba, de letra encantadora e melodia irregular, ganhou um andamento especial sob a batuta de Thiago Diogo, mestre de bateria que estreia em 2014 à frente dos ritmistas da Ilha e já imprimiu sua assinatura, como pôde ser visto ontem: cadência de primeira e bossas muito bem coordenadas. Ritmo que ajudou na evolução da escola, leve e solta como sempre, mas com uma harmonia que ainda precisa de alguns ajustes até o grande dia.

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Fotos: Lucas Landau

MANGUEIRA

“A maior escola de samba do planeta”, exalta, corriqueiramente, Luizito, intérprete da Mangueira, durante desfiles e ensaios da verde-e-rosa. Um título simbólico que, muitas vezes, é legitimado pela realidade. Como, por exemplo, ontem, quando as arquibancadas da Sapucaí foram tomadas por uma legião de mangueirenses ávidos pela passagem de sua grande paixão.

Mas, diferente da expectativa criada, o ensaio da Mangueira não teve uma voltagem tão alta, com altos e baixos em sua harmonia e evolução (algumas alas incendiadas em meio a outras literalmente caminhando pela Passarela do Samba). Ainda assim, a recepção do público foi calorosa.

O samba para 2014, dono de um refrão forte, segurou a onda, mesmo nos momentos mais mornos da apresentação, embalada por uma bateria afiadíssima comandada pelo arrojado mestre Ailton.

Acusar a Mangueira de um ensaio fraco não seria justo, mas diante do estado febril em que se encontrava a Sapucaí antes de sua entrada,  o canto irregular deixou a temperatura mais amena, abaixo do ideal em um performance desta verdadeira nação.

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Fotos: Lucas Landau

* Aos 26 anos, o sagitariano Pedro Willmersdorf é um jornalista carioca apaixonado pelo carnaval, obsessão que ele concilia com outros amores, como a música pop, o cinema, o voleibol e a vida noturna ao lado dos amigos.

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