Arte & Literatura

Marcia Disitzer e Bruno Chateaubriand reúnem depoimentos de jornalistas, celebridades e médicos em livro sobre o universo do WhatsApp

Trinta entrevistados falaram sobre a relação com o aplicativo no exemplar Como Usar o WhatsApp a Seu Favor. Para tornar a leitura mais dinâmica e atrativa, os autores colocaram os depoimentos no formato de pergunta e resposta. O resultado é um conteúdo bem humorado que fará os leitores se identificarem com a opinião ou repensar os seus atos

Publicado em 08/12/2017 | Por Ana Clara Xavier

Para você, quando o WhatsApp torna-se invasivo? Visualizou e não respondeu, acha falta de educação? Até que horas deve-se mandar mensagens via WhatsApp? Mensagem de áudio de mais de um minuto: resolve ou atrapalha? Estas perguntas são totalmente passíveis de serem encontradas no próprio aplicativo, na roda de amigos e, agora, em um livro. Por mais simples que possa parecer o assunto, se levarmos estas questões para uma mesa de bar vão render alguns momentos de piadas e desabafos. A dupla Marcia Disitzer e Bruno Chateaubriand se uniu para levar este papo para as páginas o exemplar Como Usar o WhatsApp a Seu Favor.  “O livro surgiu a partir de uma publicação minha no Facebook no dia 20 de abril deste ano. Fiz um desabafo falando que, às vezes, o WhatsApp é muito invasivo e que as pessoas não têm noção do que compartilham nos grupos. Uma opinião minha. Na mesma hora, muitas pessoas se manifestaram me falando para escrever este livro. O próprio diretor da editora falou para fazer o exemplar através da 3R. O projeto surgiu neste momento e a Marcia me ligou dizendo que se eu fosse embarcar nesta história, ela gostaria de fazer comigo. Como seria um livro de comportamento que dá dicas aos leitores, achei que seria interessante se estas viessem dos entrevistados. Dessa forma, a ideia surgiu rapidamente”, comentou Bruno.

Capa do livro Como Usar o Whatsapp a seu Favor (Foto: Divulgação)

O pedido dos internautas foi uma ordem. No exemplar, o público poderá encontrar depoimentos de celebridades, jornalistas, artistas, atletas, empresários, médicos e personalidades do mundo da moda. “A nossa ideia era falar com pessoas de diferentes áreas, porque cada um vai usar de uma maneira esta ferramenta. Desta forma, acaba existindo uma particularidade em cada profissão. Esta foi a forma que encontramos de trazer uma pluralidade para o livro”, contou Marcia. Inclusive, a própria dona do site HT, a jornalista Heloisa Tolipan, deu o seu depoimento sobre o aplicativo. Além dela, Cissa Guimarães, Gaby Amarantos, Lenny Niemeyer, Marcia Verissimo e Thalita Rebouças, entre outros, também deram a sua opinião sobre o universo on-line. De cem entrevistados, apenas 30 estão na versão final de Como Usar o WhatsApp a Seu Favor. “Selecionamos as entrevistas a partir do conteúdo, porque não era interessante pegar entrevistados que tivessem as mesmas respostas”, lembrou o autor.

Engana-se quem pensa que irá encontrar um texto teórico. Na verdade, podem se preparar para muitas gargalhadas. Como Usar o WhatsApp a Seu Favor possui uma leitura dinâmica e divertida. São diversas entrevistas estruturadas no formato pingue- pongue, ou seja, pergunta e resposta. “São mais ou menos as mesmas perguntas para cada pessoa, com pequenas variações. Cada profissão acabou rendendo mais em um assunto. Fomos equilibrando os depoimentos na edição para tornar a leitura mais fácil”, comentou Marcia. A autora está bastante satisfeita com o resultado final e garantiu o leitor irá encontrar entrevistas bem redondas.

Os autores Marcia e Bruno no lançamento do livro (Foto: Instagram)

O livro de Marcia Disitzer e Bruno Chateaubriand não tem a função de ser um autoajuda e nem mesmo existe espaço para uma autocrítica do entrevistado quanto à maneira que utiliza o aplicativo. “Acho que o mais interessante é que o exemplar inicia um debate sobre uma ferramenta que já faz parte do dia a dia das pessoas, inclusive a minha. Quero entender até que ponto isto é saudável. Existe um conflito de gerações, também, na forma de utilização do aplicativo”, afirmou Bruno. A ideia primordial é descobrir como os profissionais estão interagindo com esta ferramenta tão nova, mas que já faz parte das nossas vidas. “A função do livro não é ditar regras, porque é uma ferramenta que todos ainda estão aprendendo a lidar. Não queremos impor algo para que todos possam seguir, mas os nossos entrevistados dão algumas dicas e apontam algumas direções. Sendo assim, são através delas que as pessoas podem avaliar o seu comportamento na rede para tomar a decisão de se colocar melhor na ferramenta. A nossa diversidade de entrevistados mostra que cada um se relaciona de uma forma com a rede”, garantiu Marcia.

Apesar de trazer entrevistados tão diferentes, existem algumas questões que estão presentes em todos os universos, como nos bate-papos de adolescentes, jovens e adultos. Sendo assim, Marcia adiantou algumas opiniões que estiveram na fala da grande maioria. “Fizemos as perguntas através de assuntos que achamos serem os mais recorrentes e que podem incomodar. A maioria dos entrevistados não gosta de áudios muito longos e dizem que o ideal é ter apenas um minuto, no máximo. Além disso, não gostam de pessoas que falam de forma picotada, preferem textos objetivos. Chamam atenção para um detalhe que é pedir a autorização antes de colocar alguém no grupo, porque os dados estarão expostos para os integrantes. Para sair do grupo também é sempre uma questão, todo mundo acha que aconteceu alguma coisa. Todo mundo prefere evitar discutir pelo WhatsApp, acha melhor nor olho no olho. O público alertou sobre pesquisar antes de enviar um link, para não repassar uma fake news. Para completar, a maioria dos internautas tira o azulzinho do whatsapp”, comentou a autora. Através da fala do entrevistado é que as pessoas poderão questionar a própria forma de utilização do aplicativo e descobrir, de fato, Como Usar o WhatsApp a Seu Favor.

O livro reúne várias personalidades para falar do WhatsApp (Foto: Divulgação)

Em momentos de crise, o aplicativo vem ajudando muitas pessoas a conseguir manter o seu negócio. Através desta ferramenta é possível ligar com mais praticidade para quem mora do outro lado do mundo, por exemplo. “O whatsapp vai chegar agora para algumas empresas, então compreenderá outra forma de usar o aplicativo. Os jornalistas e médicos, por exemplo, usam esta ferramenta o tempo todo para marcar entrevistas ou consultas. Sou professora também e utilizo muito para conversar com os meus alunos através de grupos. Falamos sobre provas, trabalhos e horários, tomando sempre cuidado para não desviar de assuntos pertinentes ao curso. É um espaço maravilhoso para o trabalho”, contou Marcia.

Que o aplicativo veio para ficar, isto todos temos certeza. No entanto, a autora deixa claro que a ferramenta apenas complementa a interação humana. Sendo assim, é primordial não deixar de lado o olho no olho. “A coisa mais bacana que todo mundo comenta nas entrevistas é não ser escravo desta ferramenta. O Whatsapp gera uma ansiedade, é natural, mas temos que aprender a lidar com esta ferramenta sem ser ansioso. Antigamente, as pessoas ligavam, hoje em dia, a resposta vem on-line e nem sempre chega imediatamente”, lembrou Marcia. Para complementar o que a autora disse, Bruno lembrou que o app vem mudando a forma de cada um se relacionar, afetando principalmente as novas gerações. “Isola as pessoas em bolhas, porque muita gente só se comunica através desta ferramenta porque é mais fácil para elas expressar o seu desejo através do mesmo. Os jovens escrevem ‘gosto de você’ pela internet, em vez de contar isso pessoalmente. Acho isto muito estranho e aconteceu, inclusive, com alguns entrevistados”, afirmou.

Marcia Disitzer no lançamento do livro no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

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