Arte & Literatura

MAM reúne em mostra 20 obras essenciais de Anna Bella Geiger pertencentes a seu acervo. Vem conferir!

Exposição ‘Aqui é o Centro’ contará também com releitura do famoso projeto de 1972, ‘Circumambulatio’

Publicado em 08/05/2019 | Por Heloisa Tolipan

Aqui é o centro – 1974

*Por Jeff Lessa

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro vai receber a partir do próximo sábado (11) a exposição “Anna Bella Geiger – Aqui é o Centro”, que reúne 20 obras da artista pertencentes a seu acervo. Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, os trabalhos foram realizados entre as décadas de 1960 e 1990 e têm em comum o interesse da artista pela construção do espaço, além de noções de história, fronteira, centro e periferia. Paralelamente, ela fará uma releitura da célebre mostra “Circumambulatio”, também realizada no MAM em 1972.

Macio – 1985

A primeira parte da exposição reúne peças fundamentais para se ter uma visão do trabalho da artista, nascida no Rio em 1933. São obras do começo dos anos 1970, que vieram logo após as gravuras da série visceral (anos 1960), quando a Anna Bella foi muito influenciada pela nova figuração. A partir dos anos 1970, sua produção passou a ser marcada por um caráter essencialmente experimental e caracterizou-se pela utilização de várias mídias (fotomontagem, fotogravura, fotocópia, serigrafia, vídeo, super-8 e diapositivos), gerando trabalhos que não podem ser enquadrados em categorizações comuns.

Anna Bella Geiger (Orbis description nº 4, série Fronteiriços, 1995) Fotos: Wilton Montenegro

Nos anos 80 do século passado, Anna Bella começa a pintar e desenvolve séries em que reavalia criticamente tanto a história da pintura como seus próprios trabalhos. Já na década de 1990, as formas cartográficas, recorrentes em várias fases da artista, reaparecem. Elas podem vir vazadas em metal dentro de caixas de ferro ou em gavetas de mapotecas preenchidas por encáustica, situando-se na fronteira entre gravura, pintura e objeto.

Anna Bella Geiger (Orbis descriptio nº 4, série Fronteiriços, 1995 (Foto: Rômulo Fialdini e Valentino Fialdini)

A segunda parte da mostra, ou seja, a releitura de “Circumambulatio”, exposição apresentada no MAM há 47 anos, é definida pelos curadores como um marco, uma vez que “separa o antes modernista – ou seja, sua produção abstrata (1950) e a instigante fase visceral (1960) – do futuro contemporâneo de seu trabalho”, explicam Cocchiarale e Fernanda Lopes no texto sobre a exposição. O projeto, proposta de caráter coletivo promovida pela artista em parceria com seus alunos, contava com o uso de diversas linguagens, como fotos, audiovisuais, textos e música (Can, Mussorgsky, Emerson, Lake & Palmer).

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A palavra que dá nome à exposição, “Circumambulatio”, vem de “circum-ambulação”, que é o ritual de andar em torno de objetos sagrados, como acontece no islamismo, no hinduísmo e no budismo, entre outras religiões. O conceito poético sugerido por “Circumambulatio” definiu em que área do MAM a mostra ficaria e determinou a seleção de textos e imagens para a exposição, remontada em parceria da artista com a equipe do museu.

Anna Bella é considerada uma das artistas plásticas mais importantes do Brasil. Em mais de 60 anos de atividade, ela teve presença marcante em todas as décadas a partir dos anos 1950. Das gravuras dos anos 1960, passando pela construção figurativa da fase visceral, pela experimentação da década de 1970, pela pintura “descoberta” nos anos 1980 e por sua obra atual, Anna Bella criou uma chancela.

Formada em língua e literatura anglo-germânicas pela UFRJ e em Sociologia da Arte pela New York University, Anna Bella Geiger começou seus estudos de arte no ateliê de Fayga Ostrower (1920-2001). Seus trabalhos se espalham por coleções particulares e de acervos de museus como MoMA (NY), Centre Georges Pompidou (Paris), Victoria & Albert Museum (Londres), MACBA (Barcelona), Reina Sofia (Madri), Museu de Arte Contemporânea (Niterói), MAM (Rio de Janeiro) e MASP (São Paulo).

 

SERVIÇO

“Anna Bella Geiger – Aqui é o Centro”

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro: Av. Infante Dom Henrique 85, Parque do Flamengo. Terceiro andar, espaços 3.1 e 3.2 – 3883-5600

Abertura: 11 de maio, das 15h às 18h

Até 7 de julho

Terça a sexta, do meio-dia às 18h; sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h

R$ 14 e R$ 7 (estudantes maiores de 12 anos)

Grátis: Quartas-feiras, Amigos do MAM, maiores de 60 anos e crianças até 12 anos

Ingresso Família: Domingo. R$ 14 (para até cinco pessoas)

www.mamrio.org.br

 

 

 

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