Com lançamento movimentado em São Paulo, na segunda-feira (dia 29) e outro marcado para 8 de outubro, na Livraria Argumento, no Leblon, a biografia ‘Eu, Gabriela – entre memórias, identidade e personagens’ (Editora Amarilys), escrita por Gabriela Duarte em parceria com a jornalista e escritora Brunna Condini, chega ao público. A obra conduz o leitor por uma narrativa que transita entre passado e presente, abordando temas como carreira, relações familiares e profissionais, casamento, maternidade, amor maduro e reinvenção. Gabriela se coloca com honestidade diante dos temas, e não se esquiva de fragilidades nem de questionamentos, provocando reflexões universais sobre identidade e propósito.
“Revisito o agora, o início e o meio. Não necessariamente nesta ordem. Dentro dessas memórias vêm a carreira, os principais trabalhos, os bastidores, algumas curiosidades, a relação com a minha mãe (Regina Duarte), um casamento, a maternidade, os encontros, os pés na bunda, o fim de um contrato profissional de uma vida, a autonomia se desenhando, o amadurecimento, a menopausa, um novo amor, muitos questionamentos, algumas convicções e poucas certezas absolutas. Tudo acompanhado de uma força muitas vezes abalável, mas que nunca me abandonou. As mulheres que me habitaram ao longo dos anos envergam, mas não quebram. E são elas que falam aqui, com toda a liberdade que consegui”, reflete a atriz em um dos trechos da obra.
Revelamos o início do prólogo do livro, recém-lançado, em que a ela revisita sua infância e a marca de carregar desde cedo uma ‘etiqueta’ colada ao seu nome:

Gabriela Duarte lança biografia em São Paulo, anuncia data do Rio de Janeiro, compartilha trecho do prólogo e afirma: “Sempre busquei ter uma trajetória própria” (Foto: Danilo Borges)
A menina e a etiqueta
“Está vendo aquela menina ali? É a filha da Regina Duarte.” Foi assim que a diretora do colégio em que eu fazia o maternal apresentou o local para um casal que procurava uma escola para o filho. Eu tinha 4 anos e, pode crer, me lembro disso perfeitamente. Nunca mais esqueci desse dia e, dali por diante, entendi que não importaria o que eu fizesse, existiriam coisas que dificilmente mudariam. Eu já era uma menina com uma “etiqueta” colada em mim. E como me senti, tão nova, tendo a intuição de que teria de batalhar tanto pela minha identidade ao longo da vida? Sentia que, antes de ser eu, seria o sobrenome, o legado, a comparação. Hoje, percebo que, desde que me entendo por gente, venho investindo na construção de um caminho próprio. Minha vida toda convergiu para que eu estivesse aqui, agora, ainda pensando em minha identidade (…)” – Gabriela Duarte, em trecho do livro ‘Eu, Gabriela – entre memórias, identidade e personagens’

Gabriela e Regina Duarte no lançamento do livro ‘Eu, Gabriela – entre memórias, identidade e personagens’, em São Paulo (Foto: Agnews)
Ao falar das comparações com Regina Duarte, sua mãe e uma das atrizes que ajudaram a construir a história da teledramaturgia brasileira, Gabriela analisa: “A comparação é natural, até por questões genéticas, mas não é justa. Aliás, como toda comparação raramente é. Ser comparada a ela, ou ser sua filha, nunca me limitou. Até porque sempre busquei ter uma trajetória própria, ainda que tenha muito orgulho de seguir a mesma profissão. Mas temos nossas personalidades, individualidades, algumas visões similares e outras diferentes da vida, da profissão e de tantos assuntos. Como grande parte das pessoas, não é mesmo? Por isso é tão importante que cada uma seja exatamente o que é, e que sejamos enxergadas desta forma. Isso é identidade, a grande riqueza. E, para mim, algo inegociável”.

Gabriela Duarte e Brunna Condini lançam ‘Eu, Gabriela – entre memórias, identidade e personagens’, em São Paulo (Foto: Agnews)
E frisa: “No livro falo da história com a minha mãe, mas quantos pais, mães e filhos, que seguem as mesmas atividades, são comparados por aí? A comparação pode ser inevitável, mas aprendi desde muito cedo que o mais importante é me voltar para a minha essência, porque é isso que vai apontando os caminhos. É isso que ancora a gente no meio das dificuldades e dos desafios. E fortalece também, dá um estofo”. No lançamento em São Paulo, Gabriela se mostrou emocionada e aliviada:
Um livro dá uma organizada diferente na gente por dentro. É uma alegria já perceber as impressões que ele está causando nas pessoas. O que desejo é esse diálogo com o leitor, que ele também possa pensar na matéria da qual é feito e que nunca cessa de se construir – Gabriela Duarte

“O que desejo é esse diálogo com o leitor, que ele também possa pensar na matéria da qual é feito e que nunca cessa de se construir” (Foto: Danilo Borges)
Na ocasião, a atriz exibiu, a pedidos, a dedicatória que escreveu para a mãe em seu exemplar da obra: “Se não fosse você, nada disso seria possível. Te amo além do imaginável!!! Gabi.” E acrescenta: “Dedico o livro a ela e ao meu pai, que são partes indissociáveis de quem sou, como falo na dedicatória. Eles estarão em mim para sempre, misturados a tudo que me tornei e continuo me tornando”.

Gabriela Duarte faz dedicatória para a mãe, Regina Duarte, em lançamento de livro (Foto: Agnews)
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