Fernanda Machado lança livro para as mães, revela que sofreu uma perda gestacional e fará doc. sobre saúde hormonal


Afastada das novelas brasileiras desde que foi morar no Estados Unidos e trazendo luz para a maternidade real neste Dia das Mães, Fernanda lança ‘Tudo que não me contaram sobre a maternidade’, em que relata uma ansiedade pós-parto, a insônia persistente, uma perda gestacional, a retirada do útero na terceira gestação e a descoberta da perimenopausa e o TDPM antes dos 44 anos. Após experimentar uma intensa sobrecarga mental, ela faz do assunto propósito e anuncia: “Meu maior plano hoje é levar informação às mulheres sobre nossa saúde hormonal. Quero terminar e lançar meu segundo livro, e fazer o documentário sobre TDPM”. Nesta entrevista, fala do casamento de 14 anos com o americano Robert Riskin, com quem tem Lucca, de 10 anos, e Leo, de 5; conta dos perrengues da vida nos EUA, do desejo de voltar a atuar e revela se conseguiria voltar ao Brasil para isso, além de dar detalhes do que as mulheres poderão encontrar no livro: “Conto como vivi uma perda gestacional no final das gravações da segunda temporada da série “Impuros” (2019), quando eu interpretava a delegada Andréa. Foi um momento difícil e me senti muito culpada”

*Por Brunna Condini

Entre desafios e pequenas vitórias, as mães contemporâneas constroem novos significados para o amor e a presença, provando que a maternidade é, antes de tudo, um movimento vivo e possível. E, para aquelas que maternam longe de casa, em um país estrangeiro, o desafio se multiplica: são as diferenças culturais, o distanciamento familiar e a constante sensação de estar fora do lugar que tornam essa jornada ainda mais desafiadora, mas também mais transformadora. Sendo a melhor mãe que pode ser para os filhos Lucca, 10 anos, e Leo, de cinco, e morando nos Estados Unidos há 14 anos, Fernanda Machado fala sobre o tema no Dia das Mães: “Infelizmente, a maternidade é muito solitária hoje em dia. Somos seres coletivos; nossas ancestrais de milhões de anos atrás maternavam com uma vila inteira ao redor. O maternar era um ato coletivo. Mas hoje em dia, perdemos a vila. O que torna o maternar mais complexo, pois a maternidade foi projetada pela natureza  para ser vivida em comunidade”.

Há 12 anos afastada da TV, Fernanda acaba de lançar o primeiro livro falando da sua experiência, ‘Tudo que não me contaram sobre a maternidade‘, em que, entre outros temas,  relata uma ansiedade pós-parto, a insônia persistente, uma perda gestacional, a retirada do útero na terceira gestação e a descoberta da perimenopausa e o TDPM antes dos 44 anos. Após experimentar uma intensa sobrecarga mental, ela faz do assunto propósito e anuncia: “Meu maior plano hoje é levar informação às mulheres sobre nossa saúde hormonal. Fazer as pessoas entenderem melhor a perimenopausa e o TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual) se tornou uma missão. Quero terminar e lançar meu segundo livro, e fazer o documentário sobre TDPM”. A seguir, a atriz fala dos perrengues da vida nos EUA, do desejo de voltar a atuar e revela se conseguiria voltar ao Brasil para isso, além de dar detalhes do que as mulheres poderão encontrar no livro:

Conto no livro como vivi uma perda gestacional no final das gravações da segunda temporada da série “Impuros”, em 2019, quando eu interpretava a delegada Andréa. Foi um momento muito difícil e me senti muito culpada – Fernanda Machado

A atriz Fernanda Machado lança livro para as mães e já anuncia o segundo, além de um documentário para as mulheres sobre a saúde hormonal (Foto: Edu Rodrigues )

A atriz Fernanda Machado lança livro para as mães e já anuncia o segundo, além de um documentário para as mulheres sobre a saúde hormonal (Foto: Edu Rodrigues )

“No livro, trago informações importantes sobre perdas gestacionais que acontecem até 12 semanas de gestação, e tenho certeza de que irão aliviar a sensação de culpa de muitas mulheres que viveram essa situação. Falo também sobre como é importante quebrarmos esse luto silencioso que as mulheres vivem muitas vezes sozinhas quando sofrem um aborto espontâneo”, detalha.

Feliz com a vida que construiu em família nos Estados Unidos, ao lado do corretor de imóveis Robert Riskin, Fernanda que tem 25 anos de carreira como atriz, diz se sente saudade de estar à frente das câmeras. “Amo atuar, amo a arte. Atuo desde pequena, fiz faculdade de Artes Cênicas e nunca havia trabalhado com algo diferente antes de ser mãe. O que mais senti falta é do processo criativo, mas encontrei outras maneiras de usar minha criatividade. Comecei a dar aulas de ioga e ainda dou, mas menos, porque minha agenda está lotada. Construí cinco casas, fazendo toda a parte de arquitetura, design de interiores e paisagismo, e venho escrevendo desde que meu primeiro filho nasceu”.

A minha identidade era o meu trabalho como atriz. A maternidade me obrigou a me reinventar – Fernanda Machado

Fernanda Machado com marido Robert e os filhos Leo e Lucca (Foto: Reprodução/Instagram)

Fernanda Machado com marido Robert e os filhos Leo e Lucca (Foto: Reprodução/Instagram)

Sobre os planos como atriz, Fernanda pondera: “Agora que meus filhos estão crescendo, minha vida profissional tem ficado mais agitada. Terminei um curso de certificação na saúde hormonal feminina e já estou escrevendo meu segundo livro, que será somente sobre hormônios. Se pintar algum convite bacana para atuar, eu com certeza vou considerar”, avisa. No entanto, fazer uma novela – sua última foi ‘Amor à Vida‘ (2013)na TV Globo – ainda parece um sonho distante: “Seria difícil, porque são muitos meses. Já uma participação, ou uma série, ou um filme, como quando fiz ‘Impuros’ já é mais viável, porque são dois ou três meses”. E nos fala como vai passar o Dia das Mães: “Vou ficar grudada nos meus filhos! Ser mãe é a minha missão mais difícil e mais extraordinária de todas. O maior aprendizado da minha vida!”.

 A nossa missão como mães é muito importante para criarmos seres humanos afetivos, que tenham compaixão pelos outros. E isso nunca foi tão importante quanto neste mundo maluco em que vivemos hoje – Fernanda Machado

Solidão materna

Apesar da parceria com Robert, Fernanda frisa como a maternar na contemporaneidade é algo solitário. Ainda mais em terras estrangeiras, onde dilemas íntimos e as jornadas nem sempre encontram eco na parceria ou no entorno. “Ser mãe nos Estados Unidos é um certo perrengue. Estou longe da minha família, meus sogros já faleceram, portanto não temos nenhum familiar por perto. E lá temos pouca ajuda, e a cultura é bem diferente daqui. É bem complicado quando fico doente; não tenho a ajuda de ninguém e preciso sempre me virar sozinha. Continuo cuidando dos meninos mesmo doente. Conheço muitas mães que, como eu, também não têm familiares por perto e passam por perrengues em momentos difíceis”.

Ser mãe em outro país é algo muito solitário. Na pandemia, por exemplo, quando meu sogro faleceu duas semanas antes de eu dar à luz ao meu segundo filho, não tínhamos ninguém com quem deixar meu filho de 4 anos. Ele teve que nos acompanhar e assistir o adeus ao meu sogro – Fernanda Machado

Fernanda Machado quer ajudar outras mulheres e mães através dos seus estudos e livros(Foto: Edu Rodrigues )

Fernanda Machado quer ajudar outras mulheres e mães através dos seus estudos e livros(Foto: Edu Rodrigues )

Por amor

Ela recorda como a vida mudou desde que  conheceu o marido há 14 anos. “Robert morou no Rio de Janeiro comigo por três anos e estamos morando na Califórnia há 11. A história de como nos conhecemos é muito inusitada. Fui convidada para fazer um filme em Hollywood com Matt Damon, por conta do ‘Tropa de Elite‘ (2007), mas meu inglês não era dos melhores, então fui estudar. Ele estava dando aula em uma escola de inglês aqui no Rio e assim nossa história se iniciou. Quando nos casamos, a ideia era morarmos no Rio por conta do meu contrato com a Globo e da minha carreira. Mas o pai dele teve um problema de saúde sério e por isso fomos para lá dar apoio a ele”.

O americano Robert Riskin e Fernanda Machado estão juntos há 14 anos (Foto: Reprodução/Instagram)

O americano Robert Riskin e Fernanda Machado estão juntos há 14 anos (Foto: Reprodução/Instagram)

Fernanda conta que a partir do encontro com o marido, ele também teve a segurança e o apoio necessários para se desenvolver profissionalmente. “Nossa parceria é muito linda. Quando o conheci, ele tinha 22 anos e não tinha uma carreira estabelecida. Banquei nossas contas por vários anos, e Robert sempre me ajudava da maneira que era possível. Hoje, tem uma carreira sólida e de sucesso, e eu dei muito suporte para que chegasse lá. Ele sabe disso e é muito grato, e eu tenho muito orgulho dele. Sempre o ajudo quando precisa, e ele sempre me ajuda quando preciso. Casal é isso: é parceria”.

Travessia desafiadora

Motivada pela perimenopausa e um diagnóstico de TDPM, Fernanda se tornou consultora hormonal nos EUA, dando aulas sobre o tema e ajudando muitas mulheres e mães, e destaca que essa travessia até a menopausa é mais difícil para ela, como para tantas mulheres na mesmas condições. “O TDPM piora muito com a perimenopausa, porque o cérebro das mulheres com TDPM é muito sensível às oscilações hormonais, e a perimenopausa é um período de grandes oscilações hormonais. Portanto, meus sintomas se agravaram bastante nos últimos quatro anos. Tenho muita insônia e oscilação de humor, mas tenho controlado com hormônios bioidênticos e um estilo de vida saudável. Não é tarefa fácil, por isso senti a necessidade de estudar a fundo o assunto e compartilhar isso”.

"Ser mãe é a minha missão mais difícil e mais extraordinária de todas. O maior aprendizado da minha vida!" (Foto: Edu Rodrigues)

“Ser mãe é a minha missão mais difícil e mais extraordinária de todas. O maior aprendizado da minha vida!” (Foto: Edu Rodrigues)