Arte & Literatura

Exposição que marca a trajetória de Evandro Teixeira chega ao Museu de Arte do Rio

Um dos mais importantes fotojornalistas do Brasil apresenta sua carreira de quase 60 anos em mais de 150 obras no MAR a partir do dia 22 de setembro

Publicado em 22/09/2015 | Por Karina Kuperman

Quem visitar o Museu de Arte do Rio – MAR a partir de hoje, dia 22, vai poder conhecer melhor a obra de um dos mais importantes fotojornalistas do Brasil. Evandro Teixeira apresenta sua trajetória de quase 60 anos de carreira em mais de 150 fotos na mostra “Evandro Teixeira: A constituição do mundo”, com curadoria de Paulo Herkenhoff. A exposição mostra diversos aspectos da capital carioca que vão desde o universo da praia e da música até as manifestações estudantis ao longo da ditadura militar. Além do Rio de Janeiro, ensaios sobre temas marcantes como Canudos, sertão, questão indígena, política chilena e a morte de Pablo Neruda serão expostos no museu, que, atualmente, conta com gestão do Instituto Odeon.

AJB/RIO - 19/02/04 OUTONO 64 - MOVIMENTO ESTUDANTIL DE 1968 - FOGO NA RURAL DO EXERCITO . FOTO PRODUZIDA EM 1968 FOTO: EVANDRO TEIXEIRA/AJB

Movimento estudantil de 1968, veículo do exército em chamas durante confronto com manifestantes (Foto: Evandro Teixeira/AJB)

Evandro trabalhou por quase 50 anos no Jornal do Brasil e é uma referência na captura de momentos exatos dos acontecimentos. Ele é responsável pela famosa foto da passeata dos 100 mil, em 1968 e o registro histórico do momento da morte do estudante de medicina por policiais da ditadura militar. “Diferentemente da geração de fotojornalistas anterior à sua, a qual buscou trazer à luz do Brasil ‘profundo’ e ‘ancestral’ (politicamente mantido à distância), Evandro faz da fotografia um ato diário de resistência à opacidade do mundo, íntimo e imbuído de identificação”, comentou Paulo Herkenhoff. E, de fato, os pontos de vista e narrativas de Evandro ultrapassaram a circunstância de fotografia jornalística. Seu olhar crítico fez com que as obras ficassem conhecidas como resistência política.

AJB/RIO - 01/06/07 DEMOLIÇÃO DO PALÁCIO MONROE. FOTO PRODUZIDA EM 19/05/76 FOTO: EVANDRO TEIXEIRA/AJB

Em 1976, Evandro retratou a demolição do Palácio Monroe (Foto: Evandro Teixeira/AJB)

O fotógrafo se tornou referência de gerações e já editou livros como “Fotojornalismo”, “Canudos 100 anos”, “Livro das Águas”, “Pablo Neruda: Vou viver” e “68 destinos: Passeata dos 100 mil”. Em 1986, Carlos Drummond de Andrade dedicou um poema a Evandro Teixeira, em que explicita a importância de suas imagens e declara que elas são a arma do amor, da justiça e do conhecimento. “Diante das fotos de Evandro Teixeira – como já colocava Carlos Drummond de Andrade em poema homônimo sobre o artista – enxergamos a nós mesmos também em perspectiva e, especialmente, em nossa relação com o outro e com o todo”, declarou Herkenhoff.

Evandro Teixeira. Ônibus em inundação no Jardim Botânico. Rio de Janeiro, 1988. Inkjet print. Pigmento mineral sobre papel

Um ônibus em inundação no Jardim Botânico em 1988 (Foto: Evandro Teixeira/AJB)

“Evandro Teixeira: a constituição do mundo” integra uma série com mostras de Kurt Klagsbrunn, fotógrafo humanista no Rio, “Ângulos da Notícia – 90 anos de jornalismo em O Globo” e exposições sobre as revistas O Cruzeiro e Manchete.

Evandro Teixeira. A volta da baiana do samba nos trilhos da Central do Brasil. Rio de Janeiro,1979. Fotografia processo gelatina.

O retrato de uma baiana do samba nos trilhos da Central do Brasil, de 1979, também compõe o diverso acervo de Evandro (Foto: Evandro Teixeira/AJB)

Hoje, a abertura será em uma “Conversa de Galeria” no museu, que, além de exposições, promove atividades de coleta, registro, pesquisas, preservação e devolução de bens culturais à comunidade. O Museu de Arte do Rio fica na Praça Mauá e conta ainda com a Escola do Olhar, que tem como objetivo o desenvolvimento de um programa que integre educação e arte.

Evandro Teixeira. O Papa e a mão de Deus. Belém, Pará,1980. Fotografia processo gelatina

Foto tirada em Belém em 1980 retrata o Papa e uma mão, que metaforiza a mão de Deus. Essas e outras obras poderão ser apreciadas a partir do dia 22 no Museu de Arte do Rio (Foto: Evandro Teixeira/AJB)

Serviço:
A constituição do mundo
De 22 de setembro de 2015 até 31 de janeiro de 2016
1º térreo do Pavilhão de Exposições
Conversa de Galeria: 22 de setembro, às 11h

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