Arte & Literatura

David Lynch mostra seu lado de artista plástico e dispara contra o grafite: “Eles acabaram com o mundo”

O diretor, que frequentou até uma universidade de Belas Artes nos Estados Unidos, inaugura a exposição "Between Two Worlds" na Austrália

Publicado em 19/03/2015 | Por Junior de Paula

Nem todo mundo sabe, mas um dos maiores cineastas do mundo começou sua carreira como artista plástico. Estamos falando de David Lynch, que, nos idos de 1966, frequentou os bancos da Universidade de Belas Artes da Pensilvânia, nos Estados Unidos, onde pintou suas primeiras telas, fez suas primeiras esculturas e colagens. Foi lá, inclusive, que ele começou a trabalhar com imagens em movimento quando viu uma de suas telas se movendo ao sabor do vento, tendo assim a ideia de fazer filmes abstratos para reproduzir a experiência. Com a grana da venda das primeiras obras, ele comprou uma câmera Bolex Super 8 e a arte do cinema entrou em sua vida. “O meu sonho era ser artista plástico. Eu pensava nisso o tempo inteiro e por muito tempo. Até que, de repente, os filmes entraram na minha vida”, explicou Lynch.

O diretor David Lynch ganha mostra na Austália (Foto: Divulgação)

O diretor David Lynch ganha mostra na Austrália (Foto: Divulgação)

Agora, cerca de 50 anos depois, ele ganha uma importante retrospectiva no Museu de Arte Moderna em Brisbane, na Austrália, que fica em cartaz até o dia 7 de junho, e que mostra essa outra verve de um dos diretores mais aclamados de todos os tempos. Batizada “Between Two Worlds”, a mostra reúne todo tipo de criação artística que Lynch tenha executado nas últimas décadas. As obras, centenas delas, não estão expostas em ordem cronológica, mas divididas por quatro temas: O corpo, A decadência, Os sonhos e Os pesadelos.

David Lynch: criador e criatura em exposição em Brisbane (Foto: Divulgação)

David Lynch: criador e criatura em exposição em Brisbane (Foto: Divulgação)

Depois de atravessar a porta de entrada e observar um quadro que explora os mistérios de uma sala em um apartamento surrealista, os visitantes mergulham em uma recriação do ambiente retratado na tela e podem ouvir instalações sonoras – uma paixão que segue com o artista até hoje – que saem de alto falantes instalados nos quatro cantos do ambiente.

É possível ver, ainda, desde uma de suas principais animações artísticas batizada “The Alphabet” (1968) até vídeos inéditos, como “Premonitions Following an Evil Deed” (1996) e “The 3 Rs” (2011). Mas ,o mais bacana da mostra é poder conhecer uma outra arte de David Lynch, como pinturas em que se destacam algumas repetições de ideias e formas e uma preferência por imagens duplicadas e espelhos. Tudo em cores escuras e tintas carregadas de óleo.

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Lynch, aliás, esteve por lá na inauguração da mostra e chamou a atenção não só por mostrar ao público uma outra faceta de sua personalidade misteriosa, mas também por soltar o verbo contra um outro tipo de arte que vem ganhando força no mundo contemporâneo: o grafite. “O Grafite está destruindo o mundo. Pelo menos em relação ao mundo dos filmes. Quando você vai procurar uma locação, tudo está sempre grafitado e aí você tem que ir lá e tirar tudo com tinta para poder filmar. Não importa se são grandes obras arquitetônicas, se são estações de trem, se são fábricas. Tudo está grafitado e é uma coisa horrível. As árvores foram embora e o grafite tomou o lugar”, disparou.

 

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