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Lançando nova música, Projota fala de política, sucesso e sobre ser um homem negro no Brasil

O clipe de Sr. Presidente já acumulou mais de 140 mil visualizações em pouco mais de 3 horas no ar. O rap, que dá voz ao pensamento de muitos brasileiros,  propõe uma reflexão sobre a situação do país, fruto do descaso de anos: “É um grito", sentenciou

Publicado em 16/08/2018 | Por Junior de Paula

“Sr. Presidente, esse país tá doente / Nosso povo já não aguenta mais / Sr. Presidente, como você se sente / Ao ver a fila dos nossos hospitais? / Sr. Presidente, até queria que a gente / Se entendesse, mas não sei como faz”. Estes são alguns dos versos cantados pelo rapper Projota em clima de manifesto na faixa Sr. Presidente, que ele lançou nesta quinta-feira e já acumulou mais de 140 mil visualizações em pouco mais de 3 horas no ar. O rap, que dá voz ao pensamento de muitos brasileiros,  propõe uma reflexão sobre a situação do país, fruto do descaso de anos. “É um grito que fala por milhões pessoas no país que se sentem desamparados”, efatizou em papo exclusivo com o site HT, antes de completar:  “A faixa surgiu da urgência de falar sobre este assunto. A maioria dos brasileiros não se importa com siglas, cores ou posição na bancada, eles clamam por justiça, honestidade e trabalho duro por parte de quem vier a nos representar”.

Projota, famoso também por seu rap romântico, não deixa de estar atento aos movimentos  e encontra em suas letras uma forma de transmitir recados importantes. “É um prazer poder entreter as pessoas com o meu trabalho e, ao mesmo tempo, incentivar, transformar e levar uma mensagem importante para o público. É isso que que me move e me motiva a continuar sempre escrevendo”, afirma. Assim como fez em “Mayday”, seu último single, lançado em junho, Projota convocou fãs e beatmakers a enviarem batidas que pudessem dar origem a novos trabalhos. “Recebi centenas de e-mails e, dentre eles, uma harmonia incrível no violão, enviada pelo Tom Leite. Eu já tinha o refrão da música, que encaixou perfeitamente na melodia. Levamos para o estúdio, produzimos e eu terminei a letra”, contou.

Ligado 24 horas por dia, o rapper manda avisar está só começando. Para os próximos meses, ele tem material na manga guardado para pelo menos mais um ano regular de lançamentos. “Tenho mais umas 10 músicas guardadas que vão ser liberadas periodicamente a cada 1 ou 2 meses. Vai sair um videoclipe junto. A galera que gosta do Projota pode ficar ligada que vai ter muito lançamento até o final do ano e para 2019! Podem aguardar que vem muita coisa boa por aí!”, anunciou, em papo exclusivo com o site HT. Na conversa, falou o que faria se fosse presidente, seu voto na próxima eleição, como é ser um homem negro no Brasil em 2018 e a responsabilidade de ser um artista que soma mais de um bilhão de views em seus clipes no YouTube. Vem ler!

(Foto: Pedro Dimitrow)

Site Heloisa Tolipan: O que você faria se fosse presidente do Brasil?
Projota:
Essa pergunta é muito difícil! Eu acho que o grande problema que temos aqui no Brasil, é que os nossos políticos não entram na carreira por aptidão, por vontade de mudar. A grande maioria entra porque já está numa família de políticos, entra porque quer enriquecer, ter poder, esse é o grande problema. Precisamos colocar no poder gente que quer fazer uma mudança. Não sei o que eu faria se eu fosse o presidente do Brasil, exatamente porque não tenho essa aptidão, se eu fosse o presidente do Brasil eu procuraria alguém com essa aptidão e colocaria no meu lugar (risos). Acho que eu faria isso, procuraria alguém que realmente queira mudar e tenha a capacidade de fazer isso.

(Foto: Haruo Kaneko)

HT: Como tem visto as movimentações em torno da próxima eleição presidencial? Já tem um candidato?
P:  Eu ainda não tenho um candidato. Sinceramente eu tenho acompanhado as coisas e me sinto desamparado, com uma sensação de impotência porque não sei em quem votar. Não consigo me enxergar em nenhum dos candidatos, não vejo a representatividade das coisas que eu penso em nenhum deles. Isso tem dificultado demais a minha vida e creio que muitos brasileiros estejam que nem eu.

HT: Como é ser um homem negro no Brasil em 2018? E como é ser exemplo para tantos meninos e meninas negras Brasil afora?
P: Que pergunta bacana! É difícil ser um homem negro no Brasil em 2018, é fácil ser o Projota, entende? Já foi muito mais difícil pra mim ser um homem negro no Brasil, já passei por muito mais preconceito, passei por várias dificuldades. Hoje eu sou o Projota, as pessoas me conhecem e me respeitam, mas nem sempre foi assim. É sempre importante ter esse pé no chão e não se esquecer de onde eu vim, de tudo que eu passei para chegar onde eu estou hoje. Sei que tem meninas e meninos que tem que ouvir o que eu tenho pra dizer, tem que ouvir as minhas músicas, que precisam abrir debates, precisam de informação e de autoestima, algo que eu não tive quando novinho, e hoje tento ajudar as crianças a desenvolverem com as letras das minhas músicas.

(Foto: Haruo Kaneko)

HT: Qual a importância do rap hoje? E aonde ele ainda pode chegar?
P: Para mim, desde os meus 15 anos o rap é mais importante que tudo. Já no cenário da música, o rap vem ocupando seu espaço cada vez mais. A gente já ocupa as primeiras posições no ranking, sempre tem artistas envolvidos nas listas dos Tops do Spotify, YouTube, estão sempre por ali. É importante essa representatividade para nós, para o nosso povo, nossos adeptos. Fico muito feliz de ver isso. Aonde pode chegar? Eu não sei, pode chegar ao infinito. Depende da nossa dedicação e do público, e a ideia é continuar fazendo música por amor a música e o que vier é lucro.

HT: Você já teve um bilhão de views em seu canal no YouTube. Como vc recebe estes números? De que forma isso ecoa na sua cabeça?
P: É muito doido! Eu periodicamente eu paro e ouço minhas músicas antigas, vejo meus vídeos antigos e começo a pensar em como aconteceu tudo. É importante lembrar como foi o caminho pra chegar até aqui. Eu lembro que quando minha primeira música atingiu mil execuções no Myspace foi uma festa!  Levaram meses para alcançarmos essa marca numa época em que a internet ainda estava abrindo as portas. Hoje ecoa assim, com muita alegria, comemoração e ao mesmo tempo com o pé no chão, com maturidade, com fé, agradecendo todos os dias a Deus por tudo isso.

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