Moda & Beleza

Exclusivo! Dudu Bertholini defende “Verdades Secretas”, analisa a crise da moda e fala de bastidores: “O book rosa existe, mas não é a regra”

Em conversa com HT, o consultor do folhetim de Walcyr Carrasco disse que a ideia “não é colocar lama” no trabalho de ninguém e que "existem sim profissionais picaretas, mas também que há pessoas sérias no mercado”

Publicado em 25/06/2015 | Por Lucas Rezende

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(Foto: Divulgação)

Desde que “Verdades Secretas” surgiu na nossa tela – com uma trama incrível, como aqui já analisamos -, trouxe com ela o submundo da moda (lê-se aqui trapaças, drogas, egos inflados e prostituição) e provocou um furor com a turma dessa cena. Entre modelos, estilistas, donos de agências, e mães de meninas que estão começando na carreira, todos ficaram apreensivos. Seja achando que a trama pesou a mão na abordagem de polêmicas, ou que estão manchando o cenário fashion e seus negócios, por exemplo. Pelo sim ou pelo não, HT, que é habitué das fashion weeks e de tudo que movimenta a indústria, interessado que só no assunto, já ouviu os modelos Raphael Sander, Alessandra Ambrósio e Yasmin Brunet, que estão na novela. E agora, resolvemos ir além: chamamos o estilista Dudu Bertholini para um papo, já que ele é consultor da novela, e o responsável por ajudar a dar toques preciosos de como inserir a trama no mundo da moda.

Direto de São Paulo, Dudu já começou deixando claro: trata-se de ficção. E, por isso, pode haver de um tudo em prol do conteúdo dramatúrgico. “A história da Fanny, personagem da Marieta Severo, por exemplo, é a exceção, não é regra. A gente tem que imaginar o pior cenário. Tudo que envolve ela é mais dramático. O que a gente não pode jamais fazer é generalizar. A moda é a quarta maior indústria do país e nós temos modelos brasileiras que abriram caminhos inacreditáveis lá fora. Elas jamais precisaram fazer book rosa para alcançar o sucesso que têm”, disse. E acrescentou: “O book rosa existe? Existe. Mas não é a regra”.

Dudu conta como foi a adaptação para as telas do texto do autor. “A gente recortou os depoimentos [de pessoas que conviveram com a questão do book rosa]. Tudo que foi levantado foi a favor da dramaturgia”, ressaltou. Já quando perguntado sobre o medo de alguns donos de agências de terem o filme queimado no mercado pela possível questão de prostituição em seus castings, Dudu tratou de esclarecer que a ideia “não é colocar lama” no trabalho de ninguém. “A ideia não é essa. É para se ter certeza que existem, sim, profissionais picaretas, mas também que há pessoas sérias no mercado”, explicou.

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(Foto: Alexandre Virgilio)

Aliás, os calabouços da moda não são feitos apenas de book rosa. Para ele, a fogueira de vaidades e os egos inflados também são tão ruins quanto. “É um mercado muito competitivo, e isso é algo que a gente sempre vai ver. Por isso, eu digo que, na moda, temos luzes e sombras. Porque também é um lugar em que se conhecesse pessoas incríveis. Em um desfile, por exemplo, há um trabalho árduo de maquiadores e stylists para um momento impactante de 15 minutos na passarela. Então, é natural que exista tensão nos relacionamentos humanos. Enfim, é como todos os mercados”, analisou.

Dudu, que recebeu convite do diretor Mauro Mendonça para integrar a equipe de “Verdades Secretas”, está trocando figurinhas com Ellen Milet, figurinista da TV Globo. E, além de dar opiniões foi o responsável por toda a parte fashion, digamos assim, das gravações. “A novela tem uma linguagem super única esteticamente falando. E essa consultoria vai se desenhando ao longo do trabalho. Eu faço toda a parte de moda. Dirijo os desfiles e os editoriais da trama. Eu também mapeei alguns lugares bacanas de São Paulo para a produção conhecer e fiz a aproximação com a São Paulo Fashion Week. Mais para frente teremos cenas do elenco gravadas na semana de moda”, adiantou. Sim, Dudu querido, nós presenciamos você a mil durante vários desfiles na recente edição da SPFW nos quais os personagens da trama estavam lá, ao nosso redor, na simbiose ficção com realidade.

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Logo, por esses e por outros motivos, ele, além de ser ideal para esclarecer as polêmicas sobre a trama, pode analisar o cenário atual da moda brasileira. E é exatamente isso que fez a nosso pedido. Com a recessão econômica enfrentada, perdemos o Fashion Rio, algumas marcas cancelaram suas presenças em desfiles, e outras tantas cortaram gastos em publicidade, pessoal e renovação de coleções. Conclusão: vivemos um inverno rigoroso. E Dudu explica bem o porquê disso tudo. “A moda é um espelho do mundo. Ela é antropológica. Com ela você entende a sociedade. E a moda é e sempre foi e será um reflexo da economia. As pessoas estão com medo de gastar dinheiro. E essa indústria, bem ou mal, ainda é considerada erroneamente supérflua. E, por isso, com tanta demanda de roupa chegando às lojas todo dia, é difícil sustentar todo o consumo”, afirmou.

Perguntado por HT se a moda não se encontra ajoelhada perante a roda da economia, ele argumentou: “Não acho que o termo certo seja que a moda está ajoelhada. Ela sempre se adequou e se adequará ao momento. É só você comparar, por exemplo, os anos 40, com as guerras, e depois o consumo. Nos anos 80, por exemplo tivemos um consumo desenfreado. Por isso, acho que conclusão é que a moda é um reflexo da economia”, opinou.

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(Foto: Agência Fotosite)

O Fashion Rio, que morremos de saudade, é um bom exemplo. Dudu, assim como a gente, sorri ao imaginar a volta da semana de moda da urbe-maravilha. A possibilidade, como aqui informamos com exclusividade, é grande. Oskar Metsavaht, coordenador do Fórum Empresarial de Moda da Firjan, órgão responsável por reformular o evento de moda carioca, nos disse que o evento voltará completamente reformulado na primeira semana de setembro. Na opinião de Dudu Bertholini seria uma boa nova nesses tempos difíceis.

“O Rio é uma cidade incrível. Eu vejo várias possibilidades como, por exemplo, o verão ser no Rio e o inverno em São Paulo. Mas, ainda assim, o Rio merece ter uma semana de moda. A cidade é muito importante, e é maravilhoso fazer uma semana no Píer, com toda aquela turma carioca”, disse ele, que também sugere mais união. “Se o mercado se unir em uma semana de moda, nós poderemos sair fortalecidos em questões de patrocínio e visibilidade”, comentou.

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