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Dr. Alessandro Martins esclarece as dúvidas sobre a utilização da cola nas cirurgias estéticas

Em sua coluna quinzenal no site HT, o cirurgião plástico afirma: “A cola cirúrgica funciona como a última camada de fixação da pele. É como se fosse um curativo cirúrgico, já que todos os pontos dados numa cirurgia, com ou sem cola, são exatamente iguais. Não há exclusão de nenhuma camada de pontos, com ou sem o uso da cola. Ela tem a mesma função de um curativo: deixar o paciente uns 15 dias sem mexer na ferida operatória. Talvez tenha a função de repouso da cicatriz, já que, como a pessoa não pode mexer na cicatriz por duas semanas, a sutura passa por uma espécie de repouso”

Publicado em 14/05/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Dr. Alessandro Martins

Vamos falar sobre a diferença entre a cola cirúrgica e os fios de sutura. Existem muitas dúvidas sobre a real função das colas nas cirurgias estéticas. Muitos pacientes acreditam que a cola seria responsável pela boa qualidade da cicatriz; ou seja, que ajudaria na prevenção de quelóides ou de patologias cicatriciais. Outro pensamento comum é que ela excluiria a presença de pontos de pele, significando que haveria a possibilidade de se fazer uma cirurgia sem pontos. A terceira curiosidade é se a cola evitaria complicações como a abertura de pontos durante o processo de cicatrização.

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Na verdade, nenhuma dessas três afirmativas é 100% verdadeira. A cola cirúrgica funciona como a última camada de fixação da pele. É como se fosse um curativo cirúrgico, já que todos os pontos dados numa cirurgia, com ou sem cola, são exatamente iguais. Não há exclusão de nenhuma camada de pontos, com ou sem o uso da cola. Ela tem a mesma função de um curativo: deixar o paciente uns 15 dias sem mexer na ferida operatória. Talvez tenha a função de repouso da cicatriz, já que, como a pessoa não pode mexer na cicatriz por duas semanas, a sutura passa por uma espécie de repouso.

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Dr. Alessandro Martins (Foto: Sérgio Baia)

Dr. Alessandro Martins (Foto: Sérgio Baia)

Isso pode até auxiliar ou favorecer a velocidade do processo cicatricial, mas não quer dizer que a qualidade da cicatriz será melhor. As patologias cicatriciais são as cicatrizes hipertróficas e os queloides, que, normalmente, estão relacionados a características do próprio paciente. A cola cirúrgica não tem a capacidade de alterar a tendência de o paciente desenvolver ou não uma cicatriz patológica. Lembre-se: trata-se apenas um curativo cirúrgico, um estabilizador da ferida.

Outro mito afirma que ela evita complicações com a abertura de pontos. Na verdade, não. Tanto o ponto quanto a cola cirúrgica estabilizam a cicatriz por um período de 15 dias. Após esse tempo, se o paciente não tiver desenvolvido o tecido cicatricial, a cirurgia dele irá abrir, independentemente de estar com ponto ou cola. Na verdade, pequenas aberturas podem ficar camufladas abaixo da tira da cola. Quando isso acontece, corre-se o risco de o médico não ver a abertura e aquela secreção que sai da ferida pode acabar digerindo os pontos ao lado. É necessário tomar muito cuidado com a utilização de cola em áreas de maior tensão, como as axilas, a virilha e a junção da cicatriz do T das mamas.

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